Há uma semana era a espuma junto ao açude de Abrantes e Barragem de Belver. Na passada terça-feira, 12 de Maio, foi a vez do presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela, denunciar o aparecimento de centenas de peixes mortos junto à Barragem de Belver. O autarca de Mação explicou à Lusa que o episódio "não é de hoje nem pontual".

Vasco Estrela revelou que a autarquia tem recebido "de forma recorrente queixas dos munícipes sobre os maus cheiros da água do rio Tejo, para além do fraco caudal e do seu mau aspeto, de cor acastanhada e com bastante espuma. Ao que tudo indica, os peixes mortos ficaram retidos nas grelhas que impedem os resíduos e lixo de entrarem nas turbinas de produção de eletricidade.

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O presidente de Mação revelou ainda que a eventual fonte de poluição das águas do Tejo não estará em território português, já que os peixes terão vindo mortos ao sabor da corrente. "Isto não pode continuar assim", afirmou o autarca à agência Lusa, adiantando que vai ser apresentada uma queixa na Agência Portuguesa de #Ambiente (APA) para que a entidade investigue o que é que se está a passar no maior rio nacional.

De referir que os peixes, alguns com mais de três quilos, segundo testemunho de um pescador local, foram retirados esta terça-feira por funcionários da EDP, que trabalham na Barragem de Belver/Ortiga, sendo depois enterrados em valas abertas com recurso a uma retroescavadora. Contudo, sabe-se terá sido entregue na APA uma outra informação que poderia levar à realização de análises efetuadas à água do Tejo ou mesmo amostras desta.

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Algumas pessoas contactadas revelaram que poderá estar em causa falta de oxigénio nas águas do rio.

Este problema do rio Tejo não é novo e tem levado a surgirem nas redes sociais as mais variadas opiniões. Contudo, as entidades responsáveis ainda não deram qualquer explicação. Mesmo em alguns fóruns ligados à temática, são muitas as pessoas que lamentam o sucedido e alguns até fazem comparações, empíricas é verdade, às águas do Tejo e de consumo público (ver foto).

Não será alheia a esta questão o facto dos caudais estarem muito baixos. Há mesmo quem defenda que Espanha não está a cumprir os caudais ecológicos que têm de ser, obrigatoriamente, libertados. Mas sobre esta última dúvida já surgiram alguns esclarecimentos de que os procedimentos estarão a ser cumpridos.

Ao que se conseguiu apurar, este fim-de-semana foram feitas algumas descargas nas barragens, mas isso não aliviou o problema, podendo ser esses caudais mais elevados a arrastar o peixe morto que acabou por ficar "encravado" nas grelhas da Barragem de Belver/Ortiga.