A #Greve de dez dias dos pilotos da TAP está a meio e os trabalhadores que aderiram à paralisação já avisaram que podem voltar aos protestos ainda este mês. Isso caso o Governo e a administração da empresa continuem a não dar ouvidos às reivindicações do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC). Numa reunião esta segunda-feira, 4 de maio, os pilotos falaram na possibilidade de nova paralisação no final do mês de maio ou em junho, na altura dos feriados.

Os trabalhadores reclamam o cumprimento dos acordos celebrados em 1999 e em dezembro do ano passado com o Governo e com a administração da TAP. No primeiro documento estava previsto que os pilotos receberiam até 20% de participação na empresa, caso a privatização avançasse. Os trabalhadores temem que tal não seja cumprido, uma vez que no caderno de encargos, que estabelece as regras da privatização, não há nada que refira penalizações, caso o grupo vencedor do concurso não conceda parte do capital aos pilotos.

Numa conferência de imprensa, em jeito de balanço dos primeiros cinco dias de greve, o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Silva Monteiro, avançou que até ao momento a greve dos pilotos representa um prejuízo de 10 milhões de euros para a TAP. O governante revelou também que a quota da empresa nos aeroportos portugueses atingiu o "nível mais baixo de sempre". O Governo afirma que mesmo assim, praticamente todos os dias, estão a ser realizados cerca de 70% dos voos previstos, contudo o secretário de Estado revela que a empresa está a perder clientes todos os dias.

Numa conferência de imprensa onde se apresentaram argumentos para que o sindicato os pilotos desista da greve, o Governo volta a deixar a mesma ideia, caso a paralisação continue "a TAP de dia 11 de maio não será igual à TAP de 1 de maio", repetiu Sérgio Silva Monteiro. Num comunicado, o SPAC refere que a culpa continua a ser do Governo e da "gestão ruinosa" da empresa nos últimos 15 anos, remetendo para os prejuízos avultados com o negócio no Brasil, onde terão sido gastos em vão "500 milhões de euros".

A greve dos pilotos da TAP termina a 10 de maio e até lá as restantes operadoras a trabalharem no nosso país vão ganhando clientes, aumentando a quota de mercado nos aeroportos portugueses. Os primeiros efeitos da greve serão 10 milhões de euros de prejuízos, mas o Governo receia que o valor possa atingir os 30 milhões. No que toca à privatização, o dia 15 de maio é a data limite para a entrega de propostas.