O ex-presidente da Comissão Europeia, João Manuel Durão Barroso, vai apresentar no início de Julho o livro dos ex-governantes Miguel Relvas e Paulo Júlio. "O outro lado da governação", editado pela Porto Editora, será lançado no início de Julho e revela alguns dos aspectos mais relevantes do processo de reorganização administrativa que reduziu significativamente o número de freguesias no país. O prefácio foi escrito pelo ex-presidente do #Governo espanhol José Maria Aznar e inclui testemunhos de Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Santana Lopes, Luís Marques Mendes e Fernando Ruas, entre outros.

De acordo com informação veiculada pela editora, o livro pretende relatar "as dificuldades e as virtudes da governação em Portugal", dando a conhecer alguns "episódios políticos", na sua grande maioria desconhecidos dos cidadãos. Nomeadamente os relacionados com as movimentações internas que tentaram impedir que a reforma administrativa do território se concretizasse, reduzindo o número de freguesias. O que não veio a acontecer, uma vez que a aquela reforma "estratégica e consistente da administração local" avançou.

Os autores, actualmente afastados da governação, basearam-se nas suas "experiências e vivências pessoais" para escrever o livro que conta não só as manifestações de protesto contra aquela reforma levada a cabo, mas também as difíceis negociações com os elementos da troika, os acordos, sem sucesso, com os partidos da oposição, sobretudo com o Partido Socialista, bem como as relações exigentes com as associações representativas dos municípios e das freguesias.

No prefácio que escreveu, José Maria Aznar enaltece, sobretudo, a "vontade reformista" e a "visão estratégica" que Miguel Relvas e Paulo Júlio demonstraram ao levar por diante a reforma da administração local em 2011. No entender do ex-governante espanhol, aproveitaram "a oportunidade oferecida pela crise para dar ao Estado uma dimensão mais justa, poupando uma boa quantidade de recursos públicos".

Miguel Relvas, de 53 anos de idade, foi secretário de Estado da Administração Local no governo chefiado por Durão Barroso, e ministro Adjunto do Primeiro-Ministro e dos Assuntos Parlamentares do actual governo de Pedro Passos Coelho, de quem era seu braço-direito. Acabou por sair do cargo, em 2013, depois de um longo processo conturbado relacionado com a sua licenciatura pela Universidade Lusófona.

Por sua vez, Paulo Júlio, com 49 anos de idade, renunciou ao mandato de presidente da Câmara Municipal de Penela, no distrito de Coimbra, para exercer as funções de secretário de Estado da Administração Local e da Reforma Administrativa, tutelada pelo Ministério liderado por Miguel Relvas. Viria a sair do governo devido a um processo em que era acusado de um crime de prevaricação no âmbito de um concurso para um cargo de chefia na autarquia de Penela ganho por um seu primo, e no qual acabaria por ser condenado a uma pena de dois anos e dois meses de prisão suspensa. #Livros