Depois do polémico vídeo de um gato a arder, eis que as #Redes Sociais revelam uma tradição em Ruivós, concelho do Sabugal, no distrito da Guarda. “O Enterro do Galo” consiste em enterrar o animal vivo, apenas com a cabeça de fora, para as pessoas lhe acertarem na cabeça com um “troço” de uma couve, uma enxada ou um pau. Todo acontece à frente de crianças e por vezes com a sua participação. As imagens também estão a ficar virais com mais de 15 mil partilhas em alguns grupos de redes sociais como o Facebook. É mais uma polémica que está a ser levantada, colocando em confronto a tradição e a proteção dos #Animais


A indignação com o que se passa no entrudo de Ruivós é geral. Nesta pequena freguesia, um galo, visto como “o mal”, é trazido para o meio de uma “eira”. Aí é enterrado, deixando apenas de fora a cabeça. As pessoas juntam-se, incluindo crianças, e participam com uma espécie de venda nos olhos. De enxada na mão, ou uma espécie de taco, os participantes tentam acertar na cabeça do galo.


Nas fotos divulgadas são vistos menores a participar. Nuno Markl foi um dos indignados, depois de uma fã ter partilhado as fotos consideradas chocantes pelas pessoas da rede social Facebook. “A  tarde foi passada com risos e gargalhadas”, divulga a página dos “Amigos de Ruivó”, que acrescenta ao “divertimento” um breve enquadramento indicando que o galo é passeado pelas ruas da aldeia, de forma a anunciar a sua sentença. “Não se percebe a ténue linha que separa tradição de uma cultura do mal e da violência. É triste”, escreve Nuno Markl na sua página e que já teve a partilha de milhares de pessoas. 


As organizações de proteção dos animais vêm a terreiro condenar outras tradições. A situação ultrapassa já as famosas corridas de touros e já entra em denúncias de “corridas do porco preto” e tortura de galos e gatos, em prol da tradição. 


O caso de Ruivós parece não ser o único. De acordo com a Wikipédia, o “Enterro do Galo” acontece em outros locais. “Em algumas regiões o galo é o culpado de todos os males do ano que findou, por isso, é feito o julgamento do galo antes de ele ser condenado à morte”.