Há mais indícios de que o acidente que vitimou Francisco Sá Carneiro foi um atentado. Novos dados mostram que José Moreira e a sua companheira Isabel Silva foram assassinados. O primeiro era testemunha central do processo, e estava prestes a revelar no Parlamento o que sabia sobre o caso. Recorde-se que na noite de 4 de Dezembro de 1980 o Cessna que transportava Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa despenhou-se em Camarate, vitimando também outras pessoas que seguiam a bordo.

De acordo com o jornal online Observador, o relatório preliminar da X Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso, José Moreira e Isabel Silva foram assassinados, "com elevado grau de confiança".

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Aponta isto para um despenhamento não acidental, como era dado adquirido na altura. Há mesmo críticas à investigação, com o deputado Pedro do Ó Ramos a considerá-la "deficitária" e com falhas muito evidentes. O relator considera difícil que tal tenha ocorrido apenas devido a descuidos. #Personalidades #Crime

José Moreira terá financiado investigação privada

Após o acidente que vitimou Sá Carneiro, José Moreira pode ter financiado uma investigação privada, acreditando na tese de homicídio. Quando estava a alguns dias de revelar tudo o que sabia sobre o caso na I Comissão Parlamentar de Inquérito, foi encontrado morto em casa por inalação de monóxido de carbono, tal como a sua companheira Isabel Silva (vítima colateral). Contudo, a autópsia revelou que Moreira poderá ter sido asfixiado. Os níveis de monóxido de carbono também eram demasiado elevados para virem de um esquentador.

Exportação de armas pode ter precipitado eventual homicídio

Na altura em que Sá Carneiro e Amaro da Costa perderam a vida, decorria a investigação ao Fundo da Defesa Militar do Ultramar e à exportação de armas para o Irão. Dois dias antes da queda do Cessna, Amaro da Costa "terá pedido" mais esclarecimentos ao gabinete do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas sobre a exportação de armas para o Irão. Já Sá Carneiro fez o mesmo, mas relativamente à Guatemala, Argentina e Indonésia, entre outros países. O relatório preliminar refere que em Portugal ocorreram pelo menos três trocas de armamento com destino ao Irão.