Está decidido. O consórcio de David Neeleman (dono da companhia aérea Azul) e Humberto Barbosa (dono da Barraqueiro) será o comprador da TAP, vencendo assim a proposta de Germán Efromovich, patrão da Avianca, que quase comprou a companhia em 2012. O anúncio foi feito hoje, dia 11 de Junho, numa conferência de imprensa onde estiveram o Ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, o Secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, e ainda a Secretária de Estado do Tesouro, Isabel Castelo Branco.

O consórcio Gateway torna-se assim proprietário de 61% da transportadora aérea, numa operação que ascende a cerca de 350 milhões de euros.

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Nos cofres do Estado entrarão apenas 10 milhões de euros, a que se somará o valor da opção de compra, pago daqui a dois anos e que no máximo alcançará os 140 milhões de euros, dependendo da performance financeira da empresa neste ano e de se poder ou não fazer uma colocação em bolsa. Já a empresa recebe 338 milhões de euros em capital, valor que não contabiliza os 53 novos aviões que se juntarão à frota da TAP.

Os responsáveis governamentais referiram que o encaixe para o Estado é reduzido porque a aposta passou por assegurar o maior valor possível de capitalização para a empresa. Recorde-se que quando Efromovich tentou comprar a empresa em 2012 apresentou uma proposta que previa a entrega de 35 milhões de euros ao Estado, valor superior ao que o país agora recebe.

No que concerne à avaliação da estratégia preconizada pelos proponentes, o #Governo seguiu a avaliação da TAP, que analisou as componentes técnicas e estratégicas das propostas.

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De acordo com Sérgio Monteiro, a proposta da Gateway atende "de forma mais conseguida e rápida aos desafios que empresa tem que enfrentar no curto prazo." Ou seja, oferece mais dinheiro e mais cedo, o que é importante considerando os desafios de tesouraria da transportadora.

Quanto à conclusão da operação, o Secretário de Estado referiu que não era possível avançar timings até porque o processo não depende só destas duas partes. "Não especularemos no tempo quando pode o fecho da transacção ser aprovado (…) faremos por ter o contrato de compra e venda assinado rapidamente", referiu.

Sérgio Monteiro mostrou-se confiante que a Comissão Europeia não levante objecções ao negócio, por exemplo pelo facto de a legislação europeia não permitir que um extracomunitário detenha mais de 49,9% de uma companhia aérea (David Neeleman é norte-americano, mas associou-se ao português Humberto Barbosa nesta operação).

Quanto à estabilidade laboral, o Secretário de Estado manifestou-se optimista, garantido que a mesma está assegurada, já que os acordos de empresa são para manter.

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A manutenção destes compromissos está assumida explicitamente pelos vencedores e o não cumprimento destas obrigações implicará multas, a reversão das opções de compra ou, no limite, a reversão do negócio, adiantou Sérgio Monteiro.

No final da conferência de imprensa e no que aparentou ser um recado aos sindicatos, o Secretário de Estado relembrou que o valor que o Estado irá receber pela opção de compra está indexado à performance financeira da empresa em 2015, pelo que é muito importante para 10 milhões de portugueses que a empresa consiga um bom desempenho este ano.

Neste processo o Estado foi assessorado pelo Citigroup (Assessor Financeiro) e Vieira de Almeida (Assessor Jurídico). O Governo recusou-se a revelar quem apoiou os concorrentes, deixando para os próprios a divulgação dessa informação. #Negócios