Os homens homossexuais, no âmbito de uma decisão proveniente por parte das recomendações de um grupo de trabalho do Instituto Português do Sangue, vão poder passar a dar sangue futuramente. De acordo com a Lusa, que teve acesso a um relatório cujo tema se foca nos comportamentos de risco que possam afetar a dádiva, será suspensa a regra que impede que os homens de orientação sexual homossexual ou bissexual possam ser dadores. Além de procurar evitar situações discriminatórias face aos dadores, o grupo responsável por esta decisão assume como prioridade a garantia da segurança das transfusões de sangue. No entanto, essa restrição, ao invés de ser definitiva, passará antes a ser temporária, ou seja, estes dadores poderão estar sujeitos a um período de suspensão temporária conforme a sua atividade sexual ou comportamentos de risco.

Essas recomendações já foram aceites por parte do Ministério da Saúde que incumbiu a Direção-Geral da Saúde (DGS) da tarefa de elaborar uma norma de orientação clínica que deverá ser apresentada como definitiva até ao dia 31 de outubro do presente ano. O Instituto Português do Sangue também terá parte ativa na realização dessas regras definitivas.

De acordo com o Público, os dadores de sangue que sejam homens e homossexuais passarão a ter um questionário próprio antes da dádiva e terão ainda que expor a sua história clínica de modo a ser possível a deteção de possíveis comportamentos de risco. Além disso, será desenvolvida uma avaliação do risco de infeção por sida de acordo com o período de suspensão, que poderá ser aplicado caso seja detetada alguma anomalia. 

Esse período de suspensão temporária poderá, por exemplo, ter a duração de seis meses a um ano após a última atividade sexual do dador, ou até de seis meses após o contacto com um novo parceiro sexual. Em casos de dúvida, poderá ser aplicado um princípio cautelar de segurança máxima.

A proibição do direito de dar sangue dirigida para os homens homossexuais foi implementada em 2009 por parte de Gabriel Olim (na altura presidente do Instituto Português do Sangue), que definia essa mesma orientação sexual como sendo um comportamento de risco, negando ainda assim qualquer atitude discriminatória. Esta decisão provocou polémica, tendo João Semedo, ex-coordenador do Bloco de Esquerda, na altura criticado não só a decisão, como ainda a diferença de tratamentos entre homens e mulheres homossexuais face a este tópico. #LGBT