A história da menina cigana de Figueira de Castelo Rodrigo impressionou os inspectores da Directoria da Guarda da #Polícia Judiciária que investigaram o caso. E, com toda a certeza vai emocionar e indignar todos aqueles que, até agora, pensavam que uma criança tem direito a viver feliz. A história da Maria (nome fictício) começa aos três meses de idade com a prisão da mãe, por ter matado o pai na própria casa. Desde aí, nunca mais viveu uma infância alegre e sem sofrimento, apesar de ter sido acolhida por familiares próximos. Bastaram dois meses de investigação para que a Polícia Judiciária tivesse detido 6 familiares da criança, entre eles o marido, seu primo de 20 anos de idade.

Foi precisamente no Dia Mundial da Criança, 1 de Junho desta ano, que a pequena Maria aproveitou a ausência dos familiares de casa para fugir. Estava a percorrer dezenas de quilómetros a pé entre Figueira de Castelo Rodrigo a Vilar Formoso, quando um casal espanhol parou o automóvel e a acolheu, tendo-a encaminhada à Guarda Nacional Republicana (GNR). No âmbito de um processo de inquérito instaurado pelo Ministério Público, a Maria foi institucionalizada, e a investigação da Polícia Judiciária culminou, esta quinta-feira 13 de Agosto, com a detenção de 6 familiares com idades entre os 20 e os 54 anos.

A história da Maria é relatada pelo Diário de Notícias na sua edição deste sábado, dia 15. Aos 3 meses de idade a mãe matou o pai e foi presa. Ainda bebé foi entregue aos cuidados de uma tia, irmã do falecido pai, residente em Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito serrano da Guarda. Tudo parecia correr bem quando a menina foi obrigada a abandonar a escola, onde frequentava o 4º ano de escolaridade, para assumir a vida doméstica e tratar dos 4 primos, filhos da tia que a acolheu. Ainda de tenra idade acabaria por viver uma paixoneta com um moço da aldeia. Contudo, como a comunidade cigana tem regras e rituais, a tia traçou-lhe o destino, preparando-lhe o casamento com um primo de 20 anos de idade.

Em Janeiro, com apenas 13 anos de idade, Maria viveu aquele que, para maioria das mulheres adultas é um dia de sonho: a celebração do seu casamento. Antes, seguindo a tradição da comunidade da sua raça, teve de passar pelo “teste da virgindade” a cargo de uma tia mais velha. A mesma mulher que agora está indiciada pela prática do crime de abuso sexual de menor. Assim como acontece com o seu marido (primo) devido ao facto de ter tido relações sexuais com a criança, pelo menos, quatro vezes.

Conta, ainda o mesmo jornal, que a partir do momento em que Maria disse ao seu primo-direito (marido) que queria sair de casa e viver em liberdade, passou a ser agredida, tanto física como psicologicamente, por aquele, pelos sogros e pelos tios. A estes recaem fortes suspeitas da prática dos crimes de maus-tratos, violência doméstica e sequestro.

Aos investigadores, Maria disse-lhes qual o seu maior desejo: que as pessoas que lhe fizeram mal sejam responsabilizadas. #Crime