Remonta a 2010 a primeira acusação vinda de uma criança do Lar Nossa Senhora de Fátima, situado em Reguengos de Monsaraz, Évora. Alegadamente, a criança terá sido algemada e privada de comida, conforme contou à imprensa Natália da Silva, mãe do menor. Outros casos foram surgindo, como uma criança que foi amarrada com lençóis, ou outra que foi obrigada a urinar no chão. Estes castigos seriam a forma encontrada por Vânia Pereira, psicóloga de profissão e directora daquela instituição, para punir as crianças que tinham mau comportamento. As várias denúncias acabaram por atrair a atenção do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Évora, que lançou esta semana as acusações contra a antiga directora do lar.

Na acusação do DIAP de Évora estão envolvidas mais seis mulheres, que trabalhavam no mesmo lar, e está incluído o nome do Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Reguengos de Monsaraz. A principal visada na acusação, Vânia Pereira, terá de responder por acusações de maus tratos a menores, por alegadamente ter algemado crianças a mobília, por agredir e mandar agredir menores ao cuidado da instituição, e por privar as crianças de comida. Outras acusações sugerem pena pesada, como a de peculato, por desviar subsídios atribuídos a dependentes do Lar, e ainda por abuso sexual sobre menores.

Segundo o Correio da Manhã, nesta última acusação, o DIAP de Évora escreve que a directora, de 35 anos, terá mantido uma relação com um menor de 14, oferecendo-lhe alguns privilégios a troco de relações sexuais. O relatório indica que Vânia Pereira se terá aproximado do menor, de forma a ter um relacionamento sexual, oferecendo tabaco, telemóveis, dinheiro, entre outras coisas. O menor terá coabitado com a directora durante um período de tempo e passava férias com ela, tendo várias saídas especiais do lar. Na acusação é apontado que este menor ter-se-á aproveitado dos privilégios e da benevolência de Vânia Pereira para cometer injúrias aos colegas, entre as quais queimaduras com cigarros, não sendo punido pelos seus actos.

A directora do Lar Nossa Senhora da Misericórdia encontra-se sob medida de pulseira electrónica enquanto aguarda julgamento. #Crime