Um cartaz do Bloco de Esquerda (BE) com a imagem de Jesus Cristo gerou uma onda de críticas. O país dividiu-se perante a campanha do partido sobre a adopção por casais do mesmo sexo. Até do interior do Bloco surgiram vozes críticas que se juntaram às dos partidos da oposição e da Igreja Católica. Catarina Martins, porta-voz do BE, acabou por admitir o erro, alegando que a mensagem não foi compreendida.

A polémica tem origem num cartaz lançado esta sexta-feira pelo Bloco de Esquerda no âmbito de uma campanha sobre a adopção por casais do mesmo sexo. O diploma foi vetado pelo Presidente da República mas acabou por ser confirmado pela Assembleia da República. O Bloco optou por inserir uma imagem de Jesus Cristo com a menção “Jesus também tinha 2 pais” e com a frase “Parlamento termina discriminação na Lei da Adopção”.

Foi o suficiente para gerar uma grande onda de contestação, quer pelos partidos da direita PSD e CDS-PP, quer pelas instituições ligadas à Igreja Católica. A Associação de Juristas Católicos considerou que o cartaz desrespeita as crenças e #Direitos dos cristãos, tendo lamentado a iniciativa do partido, referindo tratar-se de uma “provocação gratuita”. E, acusou o Bloco de Esquerda de ser incapaz de respeitar “concepções culturais, religiosas e sociais”. Também a Conferência Episcopal considerou o cartaz como uma “afronta aos crentes”.

Outra voz crítica é a da eurodeputada Marisa Matias, que foi candidata à Presidência da República apoiada pelo Bloco de Esquerda. A bloquista não entende que o cartaz seja ofensivo, todavia, acha que “é um erro porque mistura “política partidária e sensibilidades religiosas”. Na sua página no Facebook, Marisa Matias escreveu que a iniciativa “saiu ao lado da intenção que se pretendia”.

A situação levou Catarina Martins a reconhecer o erro. A porta-voz do BE referiu, em declarações aos jornalistas neste sábado, 27 de Fevereiro, que a intenção foi “assinalar uma conquista muito importante no campo da igualdade”, usando um “slogan” do movimento internacional Cristão pela Igualdade. No entanto, a dirigente bloquista afirma que “as imagens passam,” mas “as conquistas pela igualdade ficam”.  #Religião