Uma menina de 7 anos que estava a viver numa casa abrigo, com a mãe, em Viana do Castelo, foi entregue, esta segunda-feira, 29 de Fevereiro, ao pai. Agentes da Polícia de Segurança Pública foram à escola buscar a criança, cumprindo uma ordem do Tribunal de Família e Menores de Faro. Contudo, o pai é suspeito de ter abusado sexualmente da filha e de violência doméstica sobre a mãe da menina. A situação surpreende os responsáveis do Gabinete de Atendimento à Família, que estava a garantir segurança à mãe e filha.

As divergências no casal são antigas e deram origem a divórcio. A mulher, de 35 anos, era empresária no sector do imobiliário e vivia numa habitação com todas as condições. Todavia, no Verão do ano passado, teve de abandonar o Algarve para se refugiar numa casa abrigo para vítimas de violência doméstica em Viana do Castelo. Tinha-lhe sido atribuído por cinco vezes o estatuto de vítima, na sequência de denúncias apresentadas às autoridades.

Por outro lado, o ex-companheiro está a ser investigado pela Polícia Judiciária por alegado abuso sexual da filha. Um processo que remonta a Julho do ano passado e do qual não são conhecidos desenvolvimentos. No dia 25 de Fevereiro, o Tribunal de Família e Menores de Faro, ao abrigo de um processo de regulação das responsabilidades parentais, ordenou que a menina fosse entregue ao pai. A Polícia de Viana do Castelo cumpriu o despacho judicial, foi buscar a menina à escola, tendo ficado cerca de cinco horas à aguardar pela chegada do pai, que viajou do Algarve para a ir buscar.

Em declarações aos jornalistas à porta do Comando Distrital da PSP de Viana do Castelo, a mãe não escondeu a sua raiva pela decisão do tribunal. Lamentou que tivesse ido para longe da sua zona de residência para se proteger e garantir a segurança da filha, e não conseguir. “Nenhuma outra criança deve passar por uma crueldade tremenda como esta”, afirmou, apelando ao tribunal que tenha “mais consideração ao analisar casos destes”. Esclareceu que a menina contou que “o pai fazia coisas que normalmente os pais não fazem às filhas”.

A mulher explica que existem “imensos relatórios psicológicos” de diversos especialistas e peritos que atestam o que se passou com a menina. Por isso, não pode aceitar que é o próprio tribunal a permitir que tudo volte a acontecer. Sobretudo, num momento em que a menina estava a recuperar e a viver feliz. #Justiça #Crime