Daniel Pereira Neves, hoje com 18 anos, vai começar a ser julgado pela prática dos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver. O julgamento tem início agendado para a manhã desta segunda-feira, 4 de Abril, no Tribunal de Santarém. O crime ocorreu em Maio do ano passado, em Salvaterra de Magos. A vítima foi Filipe Costa, um adolescente de 14 anos, cujos pais exigem uma indemnização de 288.400 euros.

Os factos remontam à noite de 11 de Maio de 2015, quando Daniel Neves, então com 17 anos, no sótão de um prédio de Salvaterra de Magos, terá agredido o amigo Filipe Costa com um tubo de metal, atingindo-o com violência no corpo e na cabeça. Uma agressão que lhe terá provocado a morte. Daniel acabaria por esconder o cadáver naquele mesmo local onde o terá assassinado. O Ministério Público está convicto que Daniel Pereira Neves terá matado Filipe Costa por “motivos insignificantes”, designadamente para lhe ficar com o telemóvel e peças de roupa e calçado. Ou seja, terá agido “motivado pelo seu gozo pessoal”, para conseguir ficar com os bens de marca que a vítima ostentava.

O jovem, que tem estado preso preventivamente no estabelecimento prisional especial de Leiria, encontra-se medicado desde os 6 anos, tendo sido institucionalizado, pela primeira vez, aos 12 anos. A agência Lusa, que consultou o processo judicial, refere que Daniel sofre de uma “perturbação bipolar”, com “traços de personalidade anti-social”, segundo uma perícia realizada à sua personalidade. Apresenta, igualmente, “traços de psicopatia, com ausência de remorsos ou culpa e ausência de empatia”. Os especialistas descrevem-no como sentindo “forte atracção por sensações e estímulos externos potentes”. Sobretudo por sentir necessidade de “estar em risco” e de contrariar o sentido normal das coisas. Daniel sente, por exemplo, necessidade de sentir a “adrenalina dos assaltos”.

É de referir que o jovem é arguido em outros quatro processos judiciais, relacionados com vários crimes de furto. Ainda, no seu perfil é descrito como “imaturo, impulsivo e instável”, apresentando “grandes vulnerabilidades”, nomeadamente afectivas, relacionais e sociais.

O processo revela que Daniel Pereira Neves apresentou várias versões sobre o #Crime de que é suspeito, designadamente desde o primeiro interrogatório a que foi sujeito pelos inspectores da Polícia Judiciária. Uma das razões que levaram as autoridades a imputar-lhe a prática do homicídio deveu-se à forma como participou na reconstituição dos factos. É que o relato que fez da forma como desferiu os golpes no corpo do Filipe coincidiu com as lesões constantes no respectivo relatório da autópsia. #Justiça