António Ferreira foi o militar da Guarda Nacional Republicana (GNR) que sobreviveu quase por milagre a uma morte quase certa, naquele dia fatídico, a 11 de Outubro, em Aguiar da Beira. Nesse dia Pedro João Dias terá baleado também mais três pessoas, tendo infelizmente duas delas perdido a vida. Uma das vítimas mortais foi um outro militar da GNR, Carlos Caetano.

Pelo facto de ser o único sobrevivente neste momento apto a testemunhar, ele é considerado a testemunha-chave de todo o processo. Pedro Dias é o único arguido e cumpre agora a medida de coação de prisão preventiva na Cadeia de Monsanto, uma cadeia considerada de alta segurança.

No primeiro interrogatório judicial a Pedro Dias o magistrado decidiu decretar uma medida acessória. Medida essa que decreta que será o próprio arguido a ser penalizado na eventualidade de alguém próximo dele tentar contactar o militar sobrevivente.

Segundo mais um exclusivo do Correio da Manhã de hoje (2 de Dezembro), foi o próprio procurador que decidiu tomar medidas. O depoimento de António Ferreira foi feito perante o magistrado para que possa ter valor jurídico em julgamento. No dia anterior a Pedro Dias ser ouvido em tribunal foi obtida a descrição do testemunho do militar e já foi tida em conta na decisão judicial de manter o fugitivo de Aguiar da Beira em prisão preventiva, a medida de coacção mais gravosa.

No entanto, foi o próprio Tribunal da Guarda que tornou válido o entendimento de que António Ferreira corre mesmo risco de vida. E o juiz de instrução foi ainda mais além e defendeu mesmo que ele deveria ter protecção até ao julgamento, para que a sua vida não seja ameaçada e para evitar que alguém tente pressioná-lo ou mesmo ameaçá-lo com um qualquer ataque que o impeça de depor. O militar sobrevivente foi considerado uma testemunha protegida e actualmente tem dois elementos da GNR à porta, 24 horas por dia, situação essa que se vai manter, pelo menos, até ao dia do julgamento. Todas as visitas a casa do militar em questão são vigiadas e controladas por militares e todos os passos de António Ferreira são acompanhados.

Numa pequena localidade de Penalva do Castelo, onde actualmente se encontra António Ferreira a tentar recuperar do que aconteceu, ele nunca anda sozinho e nem sai sem ser acompanhado por dois colegas da GNR. #Justiça #Crime #Polícia