Estão contra a eutanásia e receiam que a despenalização da #morte assistida seja praticada de forma abusiva. Dezenas de pessoas do movimento STOP #eutanásia manifestaram-se em frente à Assembleia da República esta quarta-feira, 1 de fevereiro, dia em que se debateu a petição pelo direito “a morrer com dignidade”. Sofia Guedes, uma das impulsionadoras do movimento STOP Eutanásia, alerta para os riscos de uma lei que pode levar à despenalização da morte consentida: "Começa só para tratar os doentes terminais e com patologias muito graves depois abre-se a porta a uma quantidade de outras possibilidades, entre elas a eutanásia das crianças." E acrescenta: "Também sabemos que existe um plano nacional de cuidados paliativos que pode atenuar o sofrimento das pessoas e quando nós temos como última opção oferecer a morte, estamos perante uma sociedade que deixou de lado tudo o resto, até a capacidade de amar."

Entre os protestos, um caso verídico. Rosário Almeida, também do movimento STOP Eutanásia, confessa que se o seu marido tivesse a oportunidade de escolher a morte assistida, tê-lo-ia feito, não porque o desejasse mas porque acharia que iria ser um alívio para a família. Mas na realidade ele sempre quis viver. "O meu marido morreu há cerca de dois meses com uma doença muito prolongada, até ao fim lutou pela sua vivência, ele queria estar do lado de cá e se esta hipótese (eutanásia) fosse dada, fosse fácil, se calhar não para alívio dele mas para alívio da família, ele escolheria essa hipótese, que seria contra a própria vontade", conta a ativista contra a despenalização da morte assistida.

Eutanásia obriga a rever a Constituição

O deputado centrista José Ribeiro e Castro juntou-se ao protesto e defendeu que uma lei a favor da eutanásia é inconstitucional: "A Constituição diz que a vida humana é inviolável e portanto considero incompreensível que se queira consagrar o direito de matar em qualquer circunstância sem antes rever a Constituição. E isso é uma ameaça e um risco para todos incluindo para mim próprio". O antigo líder do CDS é um dos subscritores da petição contra a eutanásia. O texto deu entrada no Parlamento em janeiro e conta com mais de 14 mil assinaturas.