O Ministério Público vai receber informação da parte do IAVE (Instituto de Avaliação Educativa) sobre os indícios de uma fuga de informação relativa à matéria do exame de Português do 12.º ano, realizado na passada segunda-feira (19). De acordo com o Expresso, circulou na internet (nomeadamente no WhatsApp) um ficheiro de som onde uma aluna citava uma colega cuja explicadora seria, alegadamente, "presidente de um sindicato de professores" (sic) e que terá aconselhado a sua aluna a concentrar os seus estudos em "Alberto Caeiro" e "contos e poesia do século XX". A aluna referia também que a dita explicadora a teria aconselhado a "treinar (...) uma composição sobre a importância da memória e outra sobre a importância dos vizinhos no combate à solidão".

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Apesar de a autora da gravação declinar "responsabilidades" caso não fossem estes os conteúdos do exame, a verdade é que foram mesmo. De acordo com o Diário de Notícias, o Expresso falou com Miguel Bagorro, professor numa escola secundária de Lisboa, que, tendo conhecimento do rumor nos dias anteriores ao exame, não lhe deu importância, pois tais boatos são habituais; porém, ficou intrigado ao constatar que correspondiam exactamente ao que constava da mensagem "pirata". Foi ele o autor da denúncia ao Ministério da #Educação, conforme relatou ao Expresso.

O IAVE divulgou uma nota à imprensa, citada pelo Jornal de Negócios, onde confirma esta situação e também o facto de ir remeter os indícios de que dispõe para o Ministério Público e para a Inspecção-Geral de Educação e Ciência.

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74067 alunos poderão repetir o exame

Ainda de acordo com o Expresso, foram 74067 os alunos que fizeram o exame de Português do 12.º ano e que, caso se confirme esta situação, poderão ver a sua prova anulada e repetida. O cenário, inédito em Portugal, poderá atrasar o processo de candidaturas ao Ensino Superior e, por consequências, as férias das suas famílias.

O prof. Bagorro, em declarações ao Expresso, afirmou que a prova deveria ser repetida, pois está em causa a justiça e a equidade dos seus resultados, e apelou a um maior controlo sobre as circunstâncias em que a prova é realizada.

Quantos alunos tiveram acesso?

No momento actual, é praticamente impossível fazer uma estimativa de quantos alunos tiveram acesso a esta gravação áudio. Sabe-se que mais de metade dos portugueses utiliza as redes sociais, mas o WhatsApp apresenta características diferentes das restantes redes sociais, privilegiando a partilha de informação e conteúdo de uma forma mais privada que as restantes. Especulando sem dados concretos, é possível que largos milhares de alunos possam ter tido acesso a estas informações. #Polícia