O número de #automóveis particulares continua a aumentar em Portugal e o transporte individual motorizado impõe-se cada vez mais aos #Transportes Públicos, cuja utilização se mantém em queda. As consequências são o acréscimo de poluição do ar e sonora, os atrasos provocados pelos engarrafamentos, os elevados índices de mortos e feridos nas estradas e o crescimento das importações de petróleo e de carros, todos factores extremamente negativos para a economia nacional e para a qualidade de vida da população.

Há 4 carros por cada 6 habitantes

Mesmo nos anos da crise e do resgate financeiro a que o país foi submetido, a quantidade de automóveis aumentou: em 2010 a taxa de carros era de 584,7 por mil habitantes, subindo para 588,3 em 2015, de acordo com dados sobre transportes revelados nesta quinta-feira (1 de Junho) pela PORDATA para assinalar o Dia Mundial da Criança.

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Ao todo, as estatísticas do organismo da Fundação Francisco Manuel dos Santos revelam que dos 4.692.000 carros existentes em 2010 se passou para 4.722.963 em 2015, último ano com dados publicados, o que equivale a um aumento de 0,6% mesmo em clima de contenção económica e apesar da perda de rendimentos da maioria da população naquele período.

Para se ter ideia da taxa de motorização do país, atente-se que há 0,7 carros por pessoa em idade ativa, o que significa que por cada seis residentes há pelo menos quatro automóveis.

Recurso aos transportes públicos rodoviários caiu 29%

Ao contrário, o recurso aos transportes públicos rodoviários caiu 29% durante o período de 2010/2015, de 699.648 viagens para apenas 496.638.

Para incentivar ainda mais o uso do transporte motorizado, naqueles seis anos a extensão das estradas nacionais cresceu quase 1.200 quilómetros, passando de 13.123 km para 14.310.

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Claro que o crescimento do número de carros tem tradução também na descida do recurso ao comboio como meio de transporte. Para além da via-férrea nacional ter vindo a ser sistematicamente reduzida. Dos 2.843 km existentes em 2010 sobreviviam 2.546 em 2015, desaparecendo mais de 297 km.

Ao todo, nos quase 50 anos que decorreram desde 1968, quando havia 3.592 km de ferrovia no país, foram eliminados 1.046 km de carris.

Desapareceram quase 15% dos passageiros dos comboios

Consequência direta do "desinvestimento" no transporte ferroviário é a quebra de quase 23 milhões de passageiros (14,7%) quando se comparam os valores de 2010 com 2015. No primeiro ano foram contados 153,023 milhões de utentes, que caíram para 130,421 milhões seis anos depois.

Situação inversa ocorreu nas três linhas de metropolitano do país (Lisboa, Porto e Almada), onde o número de viagens cresceu de 842.402 em 2010 para 1.019.852 em 2015, o equivalente a um aumento de 21%. #Ambiente