Elegante. Este será por ventura o adjectivo que melhor caracteriza a maneira como Evo Morales, presidente da Bolívia, quer que as forças policiais daquele país se apresentem aos seus concidadãos. É que Morales, líder máximo do Movimento para o Socialismo Alternativo, não está disposto a deparar-se com polícias que "descuidam da sua forma física". De acordo com uma norma interna de Walter Villarpando, comandante nacional da polícia, os polícias bolivianos que apresentem alguns quilinhos a mais estão impedidos de vestir uniforme até que melhorem substancialmente a sua condição física. A medida, que entrou em vigor na semana transacta, tem inerente um sistema que controla o peso dos agentes "com o objectivo de, não só verificar o aspecto físico, mas também a saúde" das forças de segurança, segundo Villarpando.

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Natural de Orinoca, o 65.º presidente boliviano, que joga regularmente futebol e é presença assídua em ginásios, defende que é necessário ter "uma boa forma física" para poder ter aspirações de progressão na carreira e, nesse sentido, deu indicações para que a instituição não permita a ascensão na carreira dos agentes que "descuidam da sua forma física". Adepto confesso de exercício físico, Morales não tem dúvidas: "uma boa forma física é necessária para ascender" a lugares mais altos da hierarquia.

A medida ainda agora conheceu a luz do dia, mas a crítica não se fez esperar. Javier Quispe, presidente da associação nacional de sargentos e polícias, não vê com bons olhos o desejo de Morales: "É uma discriminação", atirou o dirigente associativo, que acrescentou: "Não nos dão as condições para fazer exercícios nem as condições para estar aptos a qualquer momento".

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Insatisfeito com a norma em vigor, Quispe não desarma: "Os nossos polícias não precisam de reduzir o peso, mas sim de melhores salários, equipamentos e veículos", apontou.

Yolanda Herrera, presidente da Assembleia dos Direitos Humanos, também manifestou a sua opinião sobre a norma, ao reconhecer que "certos profissionais precisam de certas aptidões para cumprirem as suas funções, mas o peso adequado não deveria ser o principal parâmetro para a promoção", observou.