Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional da Madeira desde 1978, enviou duas cartas - aos candidatos a líder e aos militantes do PSD-Madeira. De acordo com o Expresso, a carta enviada aos candidatos à sua sucessão à frente do partido - são seis - aponta 12 de Janeiro de 2015 como data da sua resignação, cabendo ao líder da comissão política regional decidir se prossegue o mandato até ao fim ou se convoca desde já eleições antecipadas. Esta carta surgiu poucos dias depois de uma outra carta, enviada aos militantes e assinada por Jardim, incluir uma despedida e um aviso contra "os perigos que rondam o partido." Sendo relativamente vaga, a carta deixa um apelo implícito aos militantes para que abandonem o PSD-Madeira se o partido cortar com o passado recente, o que poderá significar que Jardim pretende continuar a influenciar os destinos da ilha.



A carta destinada aos militantes lança farpas a membros do PSD-Madeira que, movidos por "ambições pessoais", estarão prontos a trabalhar em favor de quem pretende prejudicar a região autónoma. Apoio a partidos rivais nas autárquicas e inscrição de novos militantes no partido, que não partilham as ideias do mesmo, são os pecados apontados por Alberto João a estes elementos não identificados. Jardim termina com um aviso e um apelo: os militantes sociais-democratas madeirenses devem impedir que o partido seja dominado por "outros" e que, se tal acontecer, "um partido é apenas um meio para atingir um fim" e que o próprio estará disponível para "lutar pelos valores em que acredita." Assim os madeirenses queiram, ele poderá estar à frente de um novo partido ou movimento que nasça da cisão do PSD-Madeira: esta é a mensagem clara, ainda que o adversário não seja explicitamente identificado.



De acordo com o Expresso, os elementos referidos são os seus adversários na ilha, candidatos à sucessão que nasceram fora do seu controlo e da sua influência: Miguel Albuquerque, Miguel Sousa, Sérgio Marques, João Cunha e Silva e Manuel António Correia, sendo o primeiro aquele que melhor e mais cedo se tem posicionado na oposição ao histórico "César" madeirense. O sexto elemento é Jaime Ramos, o também já histórico número 2 e há muito apontado como futuro líder.



Jardim já havia anunciado anteriormente a intenção de se demitir em Janeiro de 2015, depois da escolha do novo líder do PSD-Madeira, para permitir ao novo presidente "apresentar-se" ao eleitorado até às eleições regionais de Outubro do próximo ano. A carta aos militantes poderá significar que Jardim não está seguro que o seu protegido Ramos seja escolhido para liderar o PSD-Madeira - a popularidade do "jardinismo" caíu bastante na sequência da crise de 2008 e das medidas de austeridade impostas. A primeira volta das directas é a 19 de Dezembro.