"Sou um político profissional!" Foi assim que o aniversariante que hoje completa 90 anos se caracterizou um dia. Estamos a falar de Mário Alberto Nobre Lopes Soares, que nasceu na freguesia do Coração de Jesus, em Lisboa, a 7 de Dezembro de 1924. Ocupou dos mais altos cargos ao longo da sua vida e por isso ela confunde-se, de alguma forma, com a história da democracia em Portugal. Durante o combate ao Estado Novo fundou o Partido Socialista em 1973, do qual foi o primeiro líder. Aconteceram-lhe inúmeras coisas ao longo destes 90 anos de vida. Do mais importante, relata-se o tempo em que foi preso político e em que esteve exilado em São Tomé e Príncipe e também em França.

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Regressou a Portugal em 1974 para ocupar o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros e, a partir daí, foi sempre a subir em termos de importância para o país. Dois anos depois, conseguiu o seu primeiro mandato como primeiro ministro de Portugal, cargo em que se manteve até meados de 1978. Mais tarde, teve nova oportunidade de chefiar o país. Decorria o ano de 1983 e ficou no cargo até 85. Um ano de depois, candidatou-se a Presidente da República e por lá ficou, em Belém, durante 10 anos, ou seja, dois mandatos. O ano de 1996 marcou a sua despedida da política em termos oficiais, mantendo-se sempre no comentário e no apoio ao seu partido. A Fundação com o seu nome é uma das suas paixões, que mantem até aos tempos de hoje. Aliás, estamos a falar de alguém que foi essencial para que Portugal entrasse para a União Europeu - a CEE, como era designada naquela altura.

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Outra paixão da sua vida é Maria de Jesus Barros - a sua mulher. Casou em 1949, quando estava preso. Deste amor, que se mantêm até hoje, resultou o nascimento de dois filhos: João, o mais conhecido, porque foi presidente da Câmara Municipal de Lisboa, sendo agora deputado pelo PS na Assembleia e ainda Isabel, que comanda os destinos do prestigiado Colégio Moderno. Nos últimos anos, Soares tem ganho um novo fôlego com as fortes críticas que tem feito à política praticada pelo actual governo, liderado por Pedro Passos Coelho em coligação com o CDS-PP de Paulo Portas. Criticou também à posição que do seu partido, então sob a chefia do anterior secretário-geral, António José Seguro, em relação à situação em que o país vive. Ultrapassados alguns problemas de saúde, somos capazes de continuar durante mais uns bons anos a ouvir a voz de Mário Soares, que agora que se mostra agradado com a liderança de António Costa.