O primeiro-ministro esteve este sábado em Miranda do Corvo, onde prometeu uma solução para o problema do Metro Mondego. No entanto, a proposta apresentada por Pedro Passos Coelho não foi bem acolhida por autarcas e cidadãos. Pedro Passos Coelho afirmou que "o projeto está previsto nas obras públicas até 2020" e que haverá "possibilidade de o candidatar, pelo menos esta primeira fase, já no próximo quadro financeiro de apoio europeu". Contudo, o chefe de #Governo não garantiu que a solução encontrada seja aquela que estava prevista e preconizou até uma alternativa: autocarros eléctricos que possam utilizar a linha prevista para o Metro Mondego.

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"Julgo que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) está nesta altura a ultimar o estudo de viabilidade que exige que se estudem também alternativas, para as poder comparar, usando o mesmo veículo de infraestrutura que já está colocado. A possibilidade de alternativas passa por ter ligações com autocarros elétricos", disse o governante, que presidiu à cerimónia de apresentação de um livro com casos de sucesso de pessoas com deficiência da Fundação ADFP. O primeiro-ministro salientou, ainda, que não fez "nenhum compromisso" com o Metro do Mondego na cidade de Coimbra.

As reações não se fizeram esperar e demonstraram que a solução apresentada não convence quem vive nas localidades que seriam servidas pelo sistema de mobilidade do Mondego.

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"Tretas", "troca-tintas" ou "vergonha" foram algumas das expressões utilizadas pelos membros do grupo do Movimento Cívico de Lousã, Góis e Miranda no Facebook, à medida que iam partilhando as notícias publicadas nos jornais online sobre este assunto. O líder do movimento, que reivindica "um transporte público de passageiros, sobre carris, entre Serpins e Coimbra, de preferência em tração elétrica", também já reagiu às palavras de Passos Coelho. Jaime Ramos lembrou que a organização a que preside sempre disse que "a decisão técnica sobre a solução pertencia aos técnicos e a quem tinha o dinheiro para pagar e garantir a sustentabilidade futura" e mantém essa posição.

O antigo edil de Miranda (PSD) afirmou que "é fundamental saber a posição das autarquias (Coimbra, Lousa, Miranda) sócias da Metro Mondego e da própria empresa, onde o estado/administração central está representado" e deixou uma mensagem ao autarca socialista da capital de distrito: "Recordo que em 1990/1992 foi Manuel Machado e a Câmara de Coimbra que impediram a eletrificação da linha para Serpins e a construção do túnel na baixa, ligando o ramal da Lousã à linha do Norte", tendo apostado "na loucura dos elétricos rápidos, que conduziram à actual situação".

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Já o também socialista presidente da Câmara Municipal de Miranda do Corvo foi mais perentório a rejeitar a proposta do primeiro-ministro. "Fiquei muito preocupado com a hipótese avançada de no estudo de viabilidade vir a ser considerada os chamados autocarros elétricos, alternativa que Miranda do Corvo e os restantes municípios de modo algum vão aceitar", referiu Miguel Baptista. Até ao momento, ainda não são conhecidas as reacções das autarquias de Coimbra e Lousã.

Recorde-se que, a 2 de dezembro de 2009, os comboios deixaram de circular no Ramal da Lousã, primeiro apenas entre Serpins e Miranda e, um mês depois, em toda a extensão da ferrovia, no âmbito do Sistema de Mobilidade do Mondego, cujas obras arrancaram no início do mesmo ano, mas vieram a ser suspensas por razões financeiras.