Miguel Albuquerque venceu a segunda volta das #Eleições para a liderança do PSD/Madeira, realizada ontem, com 64,06% dos votos. O seu adversário Manuel António Correia obteve, assim, os restantes 35,94%. Nas suas palavras de vitória, Albuquerque sublinhou que o partido se tornou mais plural e que quebrou o isolamento, e deixou um recado implícito para o líder cessante Alberto João Jardim. Sem mencionar o seu nome, Albuquerque apontou que "quem disse que o (partido) ia sair enfraquecido das eleições, enganou-se. Já Manuel António Correia aceitou democraticamente o resultado e mencionou que o partido vai continuar unido e "próximo das pessoas."


Miguel Albuquerque concretiza assim o caminho rumo à liderança que veio trilhando nos últimos anos. Em 2012, havia disputado as eleições internas dos sociais democratas madeirenses contra o próprio Jardim, e havia perdido já por uma margem muito apertada (apenas 142 votos.) O ex-presidente da Câmara Municipal do Funchal manteve-se, assim, na linha da frente das preferências do partido. A sua vitória ganha ainda mais relevância pelo facto de, depois de ter conseguido quase vencer à primeira tentativa (obtendo cerca de 47% dos votos), consegue agora quase dois terços dos votos dos militantes. Albuquerque demonstra que a votação nos restantes cinco candidatos da primeira volta não se uniu contra si e que é, claramente, um candidato de consenso entre os militantes actuais.




Alberto João Jardim deixou comentários à imprensa depois de votar. O ainda presidente do Governo Regional, que vai apresentar a demissão do cargo no próximo mês de Janeiro, deixou uma série de "avisos à navegação", referindo as ameaças dos "interesses económicos", da "Maçonaria" e de uma "ameaça reaccionária." Além disso, Jardim voltou a deixar explícita a intenção de permanecer ligado à política, tal como o fez na carta que enviou a todos os militantes por correio antes das eleições. O líder histórico apontou ontem que está disposto a lutar contra as ameaças que referiu, "que sempre combateu", e que estas eleições não significam o seu fim político. 


No site do PSD/Madeira, à hora em que este artigo foi publicado, estavam disponíveis um esclarecimento e uma declaração da parte de Alberto João na qualidade de presidente do Governo Regional e do partido. No esclarecimento datado de Domingo, 28 de Dezembro, Jardim reitera explícitamente que apoiantes de Albuquerque, numa ocasião anterior, apelaram ao voto em outros partidos como retaliação contra si próprio, e que isso configura delito de traição, "punida pelos estatutos" do partido. Na declaração, Jardim saúda "institucionalmente" a vitória eleitoral de Albuquerque e deixa "votos para que não se concretizem as (suas) legítimas apreensões" sobre o futuro.