Passos Coelho mantém a postura de auto-confiança e de ataque revelada nos últimos dias. Depois de se ter colocado ao lado do povo, atacando o PS, as obras públicas desnecessárias e os chamados "donos do país", Passos vem agora criticar outros países europeus por não terem feito as reformas necessárias. O primeiro-ministro falava no âmbito da XXIV Cimeira Ibero-Americana, que decorreu ontem e anteontem em Veracruz, no México. A Cimeira não teve a mesma cobertura mediática de edições anteriores, mas ainda assim o jornal mexicano El Economista sublinhava a solidariedade de Passos com o "momento difícil que as instituições democráticas atravessam" no país.


Passos centrou o discurso nas reformas que, no seu entender, foram feitas em Portugal "tendo em conta a flexibilidade e a concorrência no mercado de trabalho" e que, também no seu ponto de vista, foram feitas em Espanha também. O primeiro-ministro português elogiava assim, no fórum ibero-americano, os parceiros europeus pelo trabalho desenvolvido para sair da crise, apresentando ambos como referenciais de estabilidade. De acordo com Passos, as reformas trouxeram "menos desemprego, mais investimento e economias a recuperar" em 2014. O primeiro-ministro vê também um cenário de maior confiança macroeconómica, e que reputa diferente do que se vive em outros países europeus. Passos Coelho, ao estilo Merkel, foi ao ponto de dizer que "outros países enfrentam a estagnação ou a recessão" e atrasam a recuperação da zona euro no seu todo.


O primeiro-ministro não nomeou os países em questão. Contudo, e de acordo com Tiago Oliveira, cidadão anónimo e antigo estudante de Relações Internacionais, "os países em questão só podem ser os restantes da Europa do Sul. A Itália e a França, que há dias receberam uma crítica severa da sra. Merkel por não estarem a fazer reformas, ou seja, por não estarem a aplicar austeridade suficiente, no entender dela; e a Grécia, que vai continuar com o programa da Troika e de onde as notícias já vieram mais estáveis." Tiago Oliveira não arrisca, contudo, um prognóstico sobre se as declarações de Passos Coelho o levarão a uma vitória nas eleições legislativas. "A minha área de interesse é mais as Relações Internacionais, e vejo com mais preocupação a situação na Ucrânia e com o Estado Islâmico. Por cá, acho que eles são todos iguais e nem sei se vou votar."