O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho deixou palavras de "esperança" e "incerteza" para 2015, no jantar de Natal do grupo parlamentar do PSD. O discurso sublinhou o trabalho feito pelo #Governo, a confiança no próximo ano mas também os riscos colocados pela economia mundial. Passos Coelho deixa um alerta discreto ao eleitorado, atribuindo-lhe a responsabilidade do país nas eleições legislativas do próximo ano. O tom mantém o perfil de pré-campanha de outras intervenções recentes do primeiro-ministro.


Passos Coelho utilizou um discurso de serenidade e confiança, deixando as críticas à oposição para outro interveniente. Mencionou os dados do Banco de Portugal para pintar um quadro de recuperação económica para 2015, mais uma vez sem se referir aos recentes dados mais pessimistas evocados pela Comissão Europeia para Portugal. Passos sublinhou a incerteza motivada por circunstâncias externas, que podem condicionar a recuperação económica, mas não deixou de lembrar aos eleitores que a manutenção do seu governo nas próximas eleições reduz precisamente a incerteza e permite manter o caminho de confiança descrito por si próprio.


A narrativa da confiança e da recuperação vem na sequência de outros discursos de tom semelhante, que se tornaram mais frequentes desde a detenção do ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates. Durante a cimeira ibero-americana, havia elogiado o trabalho de recuperação da crise feito pelo seu próprio governo e o de Espanha, deixando críticas a "outros países europeus" que estavam a atrasar o esforço conjunto. E poucos dias antes havia mencionado, num jantar partidário, que os "donos do país estão a desaparecer", numa referência populista e implícita a Ricardo Salgado, e criticou as obras públicas de governos anteriores em benefício de alguns, quando todos os dias se falava na questão Sócrates e Carlos Santos Silva.


Passos coelho continua assim com a iniciativa do discurso político, numa altura em que o PS continua a debater-se com a situação de Sócrates. António Costa ainda não foi visitar o ex-primeiro-ministro à prisão de Évora e, numa intervenção recente, elogiou o desempenho dos governos de Bloco Central dos anos 80. O líder socialista foi depois forçado a clarificar-se, depois dos média terem passado a ideia de que estaria pronto a unir-se ao PSD após as próximas eleições.