José Sócrates, um nome que não deixa ninguém indiferente. Uns veneram, outros odeiam, não há grande espaço para meios-termos, mas todos têm a sua opinião. Um homem que liderou Portugal durante seis duros anos, na fase pré-crise e no começo dela, antes da chegada da "troika", e um dos mais marcantes líderes da história do PS, ficará lembrado não pelo que fez no #Governo, mas por todos os casos que teimam em atormentar a sua imagem e pela sua recolha "filosófica" para Paris, num, sabe-se agora, luxuoso apartamento, que causará inveja ao mais abonado dos bolsos. A prisão preventiva da passada semana foi o colmatar de dezenas de suspeitas que recaíram, ao longo dos anos, sobre Sócrates.

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Confira as mais marcantes:

De 1987 a 1990, como deputado em regime de exclusividade, José Sócrates assina perto de trinta projetos de edifícios na Guarda. Mais tarde, quando confrontado com o caso, admite que o fez a pedido de amigos, mas que não tinha sido remunerado. Sócrates fora afastado da autarquia por alegada falta de qualidade desses mesmos projetos.

Em 1996 ocorre o caso que, até à semana passada, tinha sido um dos mais mediáticos e obscuros, a sua licenciatura na Universidade Independente. Desde despedimentos, notas e diplomas passados ao domingo, a estranha coincidência do professor ser o mesmo nas quatro cadeiras, tudo "cheirava mal" e as suspeitas eram mais que legítimas. No final, nada ficou provado e Sócrates reconquistou o direito de ser tratado por "Engenheiro Sócrates".

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Com a passagem do milénio, o ex-primeiro-ministro voltava às capas de jornais. Corria o ano de 2002 e Sócrates, então ministro do Ambiente, foi figura central nas alterações que o governo autorizou aos limites da zona de Proteção Especial do Tejo para a construção de um centro comercial nessa local. Com uma denúncia anónima surgiu o caso " Freeport". Foram investigados princípios de corrupção, com dezenas de envolvidos. Em oito anos de investigação, o então primeiro-ministro não foi interrogado uma única vez. Saiu ileso, mas muitas perguntas ficaram sem resposta.

No seu segundo mandato, em 2009, Sócrates enfrentou mais uma suspeita de corrupção, no processo "Face Oculta". São intercetadas chamadas telefónicas e mensagens entre o primeiro-ministro e o ex-ministro, Armando Vara. Escutas essas que nunca foram consideradas válidas em tribunal e foram, posteriormente, destruídas. Mais uma vez Sócrates passa pelos pingos da chuva, como se nada fosse.

Muitas conclusões podem ser tiradas durante estas últimas décadas, mas a verdade é que, para além de muita tinta corrida, nenhuma ação tinha sido feita, pelo menos até há duas semanas, quando aquela detenção relembrou a muitas pessoas que a #Justiça portuguesa existe. Algo mudou naquela noite e, apesar do seu historial, Sócrates vai ser confrontado com tudo o que fez enquanto governava Portugal, pela primeira vez na sua vida. A justiça portuguesa vai lidar com um dos casos mais mediáticos de sempre. Será elogiada no final?