Serão mais realistas, mais objetivos ou têm, simplesmente, melhor qualidade nas suas estimativas? Concretamente não se sabe, mas a verdade é que existe um padrão evidente: na última década, as previsões dos sucessivos governos saem claramente a perder em comparação com as instituições internacionais. Falham mais o alvo e têm maior tendência para o excesso de otimismo, quando confrontados com os números do Fundo Monetário Internacional, Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico e Comissão Europeia.

Com o surgimento da "troika", verificou-se uma enorme unificação nas estimativas do #Governo, FMI e Comissão.

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Embora sejam conhecidas divergências nos cálculos em vários momentos, os resultados conhecidos eram muito pouco divergentes. Agora que cada um apresentou as suas contas novamente, as diferenças voltam a aparecer. O Governo português já deu a conhecer a sua perspetiva otimista para o défice de 2015, 2,7%. Em contrapartida, Bruxelas e Washington apontam para um crescimento mais baixo e não acreditam sequer num défice inferior a 3%. As apostas estão novamente em cima da mesa.

Sem grandes divergências no período do programa de ajustamento, é necessário analisar os números da primeira década do sec. XXI para avaliar a qualidade das previsões quer portuguesas, quer internacionais. Num estudo realizado pelo jornal de referência português Expresso, que esmiuçou todas as previsões feitas entre 1999 e 2010, concluiu-se que os nossos governos são quem mais falha nas previsões do PIB e, no caso do défice, estão na pior posição empatados com a OCDE.

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No caso do PIB, os números dos governos falharam por 1,4 pontos percentuais (contra valores entre 1,2 e 1,3) e no défice o erro foi de 2,4% (contra 2,2% e 2,3%).

A conclusão está à vista. As estimativas portuguesas, nos últimos anos, ficam aquém dos cálculos internacionais. Ainda que, já este ano, o Governo tenha conseguido surpreender os homens da "troika" com o desempenho da receita fiscal, o padrão é conclusivo e evidente: a confiar em projeções, que seja nas internacionais. E fica feito o aviso, as certeiras instituições internacionais já torceram o nariz às estimativas de crescimento da receita dois pontos acima do PIB nominal. Quem ficará mais próximo desta vez?