Alberto João Jardim realizou 4834 inaugurações nos quase 37 anos que levou como presidente do Governo Regional da Madeira. Esta informação foi revelada pelo próprio, na "Grande Entrevista" na RTP, transmitida ontem à noite. Jardim, líder cessante do PSD/Madeira que vai dentro de dias entregar a sua demissão de líder do Governo Regional, referiu também que foi uma média de cerca de 1 inauguração a cada 3 dias. Este foi um dos elementos de mais interesse de uma entrevista onde Jardim se mostrou assertivo como sempre.


De forma consistente, Jardim referiu que a obra que o deixa mais orgulho é a obra social, e não as obras físicas contidas nesses 4 milhares de inaugurações. O presidente cessante recordou a diferença de condições de vida entre classes sociais na Madeira pré-25 de Abril, a diferença de instrução e de acessos a cuidados de saúde entre os habitantes do "tecido urbano" e das zonas rurais da ilha, e o facto de ter conseguido ultrapassar essa situação nestas 3 décadas e meia. Alberto João Jardim rebateu também críticas de "défice de democracia" na Madeira, apontando a transição de poder no seio do PSD/Madeira como um exemplo dessa liberdade, com o surgimento de 6 candidatos e a vitória tranquila de Miguel Albuquerque. Jardim assumiu que Albuquerque não era o seu candidato mas, democraticamente, indicou que "ele é o seu líder" e que espera um bom resultado para o PSD/Madeira nas próximas eleições regionais. E assumiu mesmo para si a responsabilidade de um eventual resultado negativo de Albuquerque, significando que foi ele (Jardim) "que fez alguma coisa mal" se isso acontecer.


Confrontado com a questão da dívida pública, avaliada pelo próprio em cerca de 6 mil milhões de euros, Jardim rebateu que a dívida tornou-se necessária, "caso contrário, não conseguiríamos fazer nada". Jardim surpreendeu ainda ao revelar "confiança pessoal" em António Costa para coordenar uma eventual coligação com o PSD. "Eu não confio é no Partido Socialista", rematou.


O histórico líder madeirense, um feroz adversário de José Sócrates durante todo o seu consulado, revelou também que está contra a prisão preventiva do ex-primeiro-ministro, não vendo razão para a mesma. Jardim deixou ainda críticas ao "circo" mediático em torno da detenção de Sócrates, relativamente ao acompanhamento excessivo desde o momento da própria detenção e a partir daí.


Finalmente, Jardim tornou a comentar, como havia feito anteriormente, que poderá assumir o seu lugar de deputado à Assembleia da República, "por curiosidade" e por "nunca ter posto lá os pés", mas reconhecendo que isso "não é importante para o país." Mais importante, do seu ponto de vista, será uma candidatura sua à Presidência da República; não para ganhar, porque ele não é um candidato "da partidocracia", mas para ter um espaço para apresentar as suas ideias para o país. Relativamente ao candidato de direita, e confrontado com uma escolha entre Pedro Santana Lopes e Marcelo Rebelo de Sousa, Jardim recusou escolher, declarando-se "amigo dos dois" e como tal entendendo que são ambos bons candidatos.