Miguel Albuquerque declarou ontem, na abertura do XV Congresso Regional do PSD/Madeira, que a Região Autónoma não quer ser "um fardo" para Portugal, mas sim uma "mais-valia" para o país. O tom da declaração marca uma ruptura sensível, ainda que discreta, com o consulado de Alberto João Jardim, o líder cessante. Albuquerque é o primeiro político nacional a responder directamente à opinião popular, nunca verbalizada oficialmente, de que a Madeira recebe muito mais do Continente e do Governo do que aquilo que contribui para o todo nacional. O novo líder vem assim, também, marcar a diferença e a novidade em relação a Jardim, apostando na ideia de renovação, a palavra em destaque no cartaz oficial do XV Congresso.


Albuquerque falou ainda na construção de "pontes de diálogo" entre o Estado Central e a Região Autónoma, falando na necessidade de ser um "interlocutor permanente" com o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. O novo líder dos sociais-democratas madeirenses lembrou também que a oposição local já comelou com a atacar "de forma desenfreada" a nova direcção, o que é um sinal de "nervosismo" político, na sua opinião. Recorde-se que Miguel Albuquerque venceu as eleições internas no PSD/Madeira com quase dois terços dos votos, à segunda volta. 


Passos Coelho, que está hoje presente na "Marcha Republicana" em Paris (França) de apoio ao Charlie Hebdo, esteve também ontem na Madeira para apoiar o novo líder eleito do PSD local. O primeiro-ministro apontou que espera um "ciclo eleitoral auspicioso", onde as eleições legislativas antecipadas na Madeira serão o primeiro embate. Passos Coelho falou também no "respeito e legitimidade da decisão tomada de antecipar as eleições" e do momento simbólico para o partido, que entra em renovação depois de "um longo ciclo."


Passos Coelho adoptou ainda a postura de estadista, que tem vindo a acentuar nas últimas semanas e após a detenção de José Sócrates, sublinhando o orgulho do PSD nacional no trabalho desenvolvido pelo PSD/Madeira desde 1978. Contudo, Passos Coelho elogiou também Albuquerque pela forma como se está a afirmar para o futuro "sem tratar mal o passado" e por ter reforçado a "coesão política" do partido durante a transição.