62 mil milhões é o montante de dívida a pagar a credores diversos pelo governo a designar para a próxima legislatura (2015-2019). O número foi avançado pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), em documento publicado no website do Parlamento. Este montante é superior ao da dívida durante a legislatura presente, que foi de apenas 50 mil milhões. Desta forma, o documento da UTAO vem relembrar que, independentemente da cor partidária do próximo governo, a próxima legislatura vai encontrar grandes dificuldades. 


De acordo com o portal Dinheiro Vivo, 21 mil milhões são destinados ao FMI e a fundos europeus, os chamados "credores oficiais". Os restantes 41 mil milhões serão para bancos, tesouros nacionais, e diversos fundos privados, os chamados "credores de mercado". Este peso de dívida equivale a 35% do PIB e a défices de 9% anuais, em quatro anos consecutivos. Contudo, e de acordo com o Dinheiro Vivo, o Governo sustenta a tese de que é possível pagar a dívida sem comprometer a economia.


Ainda de acordo com a UTAO, a dívida pública continua a subir, uma vez que o Estado continua com dificuldades em equilibrar as despesas com a receita. Em Novembro, o défice do subsector Estado foi de 345 milhões de euros. A UTAO aponta a "aquisição líquida de activos financeiros de 1500 milhões de euros", sendo que o Dinheiro Vivo aponta empréstimos à Carris, aos STCP e a "empresas públicas reclassificadas" como os destinos de 1315 desses 1500 milhões - e isto apesar da ministra das Finanças ter assegurado, no mês anterior, que o caminho passa pela redução da dívida

Mais preocupante é a evolução da dívida na comparação com 2013. Verificou-se um aumento de 6700 milhões de euros, sendo 1500 respeitantes apenas ao mês de Novembro. O total encontra-se acima do que estava previsto para o fim do ano transacto.  


O documento da UTAO aponta ainda que a dívida pública atingiu 131,4% do PIB, sendo que algumas operações deverão contribuir para a sua redução, nomeadamente a "amortização de títulos com recurso à liquidez existente" e o investimento, pelo Fundo da Segurança Social, de títulos de dívida pública nacional. Refira-se ainda que o montante que Portugal irá entregar aos credores durante os próximos 4 anos equivale a 620 vezes o valor que o Real Madrid investiu na compra de Cristiano Ronaldo ao Manchester United.