A intervenção de António Costa, presidente da Câmara de Lisboa (CM) e Secretário Geral do Partido Socialista, perante a comunidade chinesa em Portugal continua a levantar ondas de choque. Depois de todos os partidos manifestarem os seus pontos de vista, inclusivamente os militantes do próprio PS, questiona-se agora se faz sentido que o político continue à frente dos destinos da autarquia da capital. No fundo, a questão que se coloca é se deve Costa concentrar-se apenas e só na missão de secretário-geral do PS e, como tal, focar-se nas funções de candidato a primeiro-ministro, uma vez que as eleições legislativas se realizam já no Outono.

A eleição do presidente da CM nas primárias de Setembro último, onde conseguiu uma larga maioria de votos contra António José Seguro, ainda foi há pouco tempo, mas o clima de euforia face ao político parece ter abrandado.

Publicidade
Publicidade

Além disso, o controverso discurso da última semana, onde o político fez um agradecimento aos investidores chineses pela ajuda a Portugal, dizendo mesmo que o país está melhor de que há 4 anos atrás, em nada contribuiu para serenar os ânimos nas hostes socialistas, fazendo, pelo contrário, com que o mal-estar aumentasse.

Segundo os mais céticos do maior partido da oposição, António Costa tarda em passar a mensagem ao eleitorado socialista e mostrar qual o verdadeiro rumo e estratégia para vencer as legislativas que rapidamente se aproximam. Prova disso mesmo, é que o PS não consegue "descolar" nas sondagens, mantendo-se muito próximo dos partidos da atual coligação formada por CDS e PSD, algo que se começa a tornar delicado de gerir pela máquina partidária socialista.

No Partido Socialista, e apesar das explicações da direção, nomeadamente com um SMS que foi enviado aos militantes onde se procura pôr água na fervura, o clima não é o melhor, como de resto o demonstra o vice-presidente do grupo parlamentar, Vieira da Silva, que reconheceu que era difícil ignorar o impacto pouco positivo das palavras do líder.

Publicidade

Isto depois de Alfredo Barroso, um dos fundadores do partido, ter batido com a porta em reação ao discurso de Costa.