A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, afirmou que o partido irá voltar a apresentar propostas de legalização para a venda de drogas leves, de modo a diminuir o crime associado à sua venda ilegal. A líder bloquista reagia assim às afirmações da ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, que, na passada semana, afirmou concordar com a despenalização do uso de drogas leves, com o intuito de que não haja criminalidade altamente organizada e branqueamento de capitais. Esta não é a primeira vez que o Bloco de Esquerda se debate por este assunto. Já em 2008 os bloquistas aderiram à marcha global pela legalização da cannabis sob o lema "Cannabis: O Pulmão da Terra", e, no ano seguinte, inseriam no programa eleitoral para as legislativas a legalização das drogas leves.

Catarina Martins aproveitou ainda a oportunidade para frisar os vários projectos de lei apresentados pelo Bloco com vista a tornar a venda das drogas leves legal, e que foram sendo sempre inviabilizados pelo PSD. Mais acrescentou que a ministra da Justiça deveria ser consequente com as suas opiniões pessoais. Outras forças partidárias manifestaram já a sua posição relativamente a este assunto. Carlos Gonçalves, do Partido Comunista Português, considera que a proposta de Paula Teixeira da Cruz foi precipitada e apresentada de ânimo leve, adiantando ainda que espera para ouvir mais detalhes sobre a ideia da ministra acerca da despenalização e venda de drogas leves através das farmácias.

Por outro lado, a deputada do Partido Socialista, e presidente da Comissão Parlamentar de Saúde, Maria Antónia Almeida Santos, partilha da mesma opinião da ministra da Justiça, ao afirmar que esta se trata de uma boa medida, apesar de considerar também que não haverá muitas hipóteses do Executivo avançar com a legalização das drogas leves e com a sua venda nas farmácias. A deputada socialista aproveitou ainda a ocasião para pedir à ministra da Justiça que clarifique a sua ideia, uma vez que as suas declarações foram pouco profundas.