Sociais-democratas e centristas não têm dúvidas: a Assembleia da República não pode escrutinar a actividade do Presidente da República. As palavras são do deputado do PSD Carlos Abreu Amorim, mas vão de encontro à posição do CDS que, através de Cecília Meireles, também fez saber que os centristas não vão dar luz verde ao requerimento dos comunistas. O PCP pretendia que Cavaco Silva desse conta dos encontros que teve com Ricardo Salgado, ex-presidente executivo do BES, num depoimento escrito. Note-se que, apesar do requerimento só ter sido entregue formalmente pelo PCP, os restantes partidos da oposição também haviam manifestado interesse em questionar Cavaco Silva.

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Mas a decisão está tomada. Amanhã, quarta-feira, os partidos da maioria que suportam o Governo vão chumbar aquele documento. Em comunicado, Carlos Abreu Amorim recorreu à Constituição Portuguesa para justificar a posição tomada pelos sociais-democratas. Tendo em conta que o Presidente da República não tem funções executivas, então "o Parlamento não tem competências para fiscalizar a sua actividade", salientou o coordenador dos sociais-democratas na comissão de inquérito ao Caso BES. Carlos Abreu Amorim sublinhou ainda que a bancada parlamentar do PSD entende que o requerimento apresentado pelos comunistas não é mais do que uma tentativa de envolver o Presidente da República em "manobras partidárias".

Da parte do CDS, Cecília Meireles também esgrimiu a posição dos centristas com recurso à Constituição.

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A coordenadora do CDS naquela comissão de inquérito frisou que num regime político de natureza semipresidencial, a Assembleia da República está incumbida de fiscalizar o Governo, mas "o Presidente da República não responde perante o parlamento". A deputada do CDS alertou ainda que seria um erro abrir um precedente, na medida em que estaria aberta a porta para se "violar sistematicamente" ou várias vezes a "separação de poderes", podendo este "desrespeito" ir ao encontro do actual ou de qualquer futuro Chefe de Estado.

Cavaco Silva reitera que não irá prestar esclarecimentos sobre o caso BES

Na passada sexta-feira, Cavaco Silva voltou a afirmar que não tem qualquer esclarecimento adicional a fazer sobre o BES. "O Presidente da República nunca revela as conversas que tem em privado", sublinhou, antes de frisar novamente aos jornalistas que nunca proferiu qualquer declaração a respeito do BES.