São 32 as personalidades da vida pública e política portuguesa que assinaram a "Carta ao primeiro-ministro de Portugal", com o objectivo de apelar a Pedro Passos Coelho que reveja o seu entendimento sobre a situação na Grécia. O líder do governo português tem assumido nos últimos tempos uma posição intransigente, no que à política de austeridade em território helénico diz respeito. Já por diversas vezes, Passos Coelho afirmou que não obstante a crise humana com que o povo grego se depara, a "política de austeridade" deve prosseguir. A missiva conta com as assinaturas de pessoas de vários quadrantes políticos, ex-ministros, economistas, ex-deputados, entre outras personalidades.

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O documento, noticiado esta quinta-feira pela TSF e pelo jornal "Público", manifesta preocupação no que concerne à "posição do Estado Português no Conselho Europeu" no dia de hoje, e defende que os factos têm demonstrado que o caminho da austeridade é "contraproducente". Para os 32 signatários, o momento actual constitui uma "oportunidade que não pode ser desperdiçada" para uma discussão a nível europeu sobre as políticas sociais dos países que têm sido mais fustigados durante os últimos seis anos. Os subscritores terminam a missiva alertando o primeiro-ministro de Portugal que este é o tempo para um "apelo à responsabilidade numa Europa" que não tem conhecido "esforço comum" para dar resposta a uma "crise tão ameaçadora".

Bagão Félix (CDS-PP), Freitas do Amaral (AD/CDS e PS), Ferro Rodrigues e João Cravinho (PS), José Pacheco Pereira (ex-líder parlamentar do PSD), Francisco Louçã (antigo coordenador do Bloco de Esquerda), Pedro Lains, José Reis e Paulo Trigo Pereira (economistas), Lídia Jorge (escritora), Manuel Carvalho da Silva (ex-dirigente da CGTP) e Ricardo Bayão Horta (empresário) são alguns dos signatários.

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António Costa apoia "Carta ao primeiro-ministro de Portugal"

À margem da reunião de líderes Socialistas Europeus, António Costa afirmou aos microfones dos órgãos de comunicação social presentes em Bruxelas que subscreveria a missiva. "Com certeza que sim", começou por referir o secretário-geral do PS. "A ideia de diabolizar a Grécia e de isolar a Grécia é uma ideia errada e perigosa", acrescentou. O líder dos socialistas não tem dúvidas quanto ao resultado depois de três anos de experiências com políticas de austeridade. "A austeridade fracassou do ponto de vista político e fracassou do ponto de vista económico", sentenciou.