As jornadas parlamentares do Partido Comunista Português (PCP) arrancaram hoje, em Aveiro. Até ao dia de amanhã, terça-feira, os comunistas estarão reunidos para abordar temáticas como o emprego, a produção nacional, a saúde, a mobilidade especial e a ameaça de desemprego na Função Pública. Na intervenção de abertura dos trabalhos, Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, começou ao ataque, afirmando que o Partido Socialista (PS) não é "uma verdadeira alternativa" ao actual Executivo de Pedro Passos Coelho. Para o líder dos comunistas, o PS não irá trazer mudanças substanciais ao país, numa alusão clara às políticas adoptadas pelo PASOK, o partido socialista grego.

Publicidade
Publicidade

"O país precisa de uma verdadeira ruptura e não de mudanças de cosmética para que tudo fique igual", começou por referir Jerónimo de Sousa, antes de deixar duras críticas ao último governo socialista. "As falsas mudanças daqueles que afirmam que não são o PASOK de Portugal, mas que o foram em tempos passados e que hoje deixam os destinos de Portugal nas mãos do senhor [Jean-Claude] Junker, do senhor [Mario] Draghi e da boa vontade do diretório das grandes potências", atirou.

Em ano de eleições legislativas, Jerónimo de Sousa voltou a frisar a necessidade de anular o Tratado Orçamental, de renegociar a dívida e de colocar de parte o pacto de estabilidade e crescimento. João Oliveira, líder da bancada parlamentar dos comunistas, também não deixou de voltar a sublinhar o cenário de "dura realidade" que o povo português tem vindo a enfrentar.

Publicidade

De forma sucinta, o deputado do PCP descreveu a realidade dos portugueses: "agricultores que se encontram impedidos de produzir ou arruinados na venda daquilo que produzem, pescadores com sérias dificuldades em ir ao ar, ameaça constante de despedimento na Função Pública, amontoado de doentes nos corredores dos hospitais, empresas públicas estratégicas vendidas ao desbarato", resumiu.

O objectivo destas jornadas parlamentares é analisar e debater a situação do país, partindo da realidade do distrito de Aveiro. Deste modo, e de acordo com o programa da bancada do PCP, os comunistas vão encontrar-se com médicos e utentes em unidades de saúde daquele distrito; com trabalhadores da Segurança Social; com agricultores e pescadores, em Ovar e na Torreira, respectivamente; para além de visitas a uma corticeira em Lourosa, a uma empresa de indústria automóvel e a uma escola, localizada em Estarreja.