Uma semana depois de ter equiparado o Partido Socialista (PS) ao PASOK, o partido socialista grego, na abertura das jornadas parlamentares do Partido Comunista Português (PCP), em Aveiro, Jerónimo de Sousa voltou à carga esta segunda-feira para tecer novas críticas aos socialistas portugueses. As declarações do secretário-geral dos comunistas foram proferidas no âmbito da reunião do comité central comunista. Para Jerónimo de Sousa, António Costa está de braço dado com o Governo PSD/CDS-PP em matérias como a renegociação da dívida soberana portuguesa, para além de ambicionar "poder absoluto". O líder dos comunistas pronunciou-se ainda sobre aquilo que classifica de "lebres de corrida" à Presidência da República.

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Jerónimo de Sousa resumiu de forma clara e objectiva o encontro do comité central do partido, ao sublinhar que não é possível deixar de anotar a aproximação do PS e de António Costa às posições do executivo de Passos Coelho, nomeadamente no que à recusa da renegociação da dívida diz respeito. O secretário-geral do PCP voltou a frisar que é necessária a renegociação da dívida nos montantes, juros e prazos, algo que, de resto, os comunistas já vêm defendendo há quatro anos.

O líder do PCP apontou baterias para as eleições na Grécia para condenar desenvolvimentos que, em consequência das legislativas naquele país, "traduzem um inadmissível processo de ingerência, chantagem e pressões da União Europeia" no que concerne a dívidas soberanas. Jerónimo de Sousa atirou ainda uma farpa ao Governo português, por ter uma atitude de "subserviência" e "entrega dos interesses" de Portugal à ganância dos mercados financeiros.

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Em ano de eleições legislativas em solo português, Jerónimo de Sousa não vê no PS uma alternativa de governo à política de austeridade e empobrecimento. Considera o líder comunista que, mais importante que qualquer "reposicionamento à esquerda" ou até uma eventual genuína procura de união de esforços para colocar termo à política de direita, o PS deseja alcançar "poder absoluto", descartando as "propostas concretas de voto e as políticas concretas".

Sobre a questão das eleições presidenciais, que deverão ocorrer em janeiro de 2016, Jerónimo de Sousa remeteu qualquer posição dos comunistas para o período de tempo entre "outubro e dezembro". Porém, não deixou de comentar a proliferação de putativos candidatos a Belém. "Têm existido movimentações. Mas sem desprimor para os eventuais candidatos, algumas lebres de corrida, a questão das presidenciais não está na ordem do dia", finalizou.