Alfredo Barroso, um dos fundadores do PS, sobrinho de Maria Barroso (esposa de Mário Soares), vai abandonar o partido que fundou. Em causa está a intervenção de António Costa num encontro com cidadãos chineses, na Póvoa do Varzim, a propósito do Ano Novo Chinês. Nesse encontro, Costa agradeceu o papel dos investidores chineses na recuperação do país após o resgate da Troika. Alfredo Barroso considerou que se tratou de "um acto de vassalagem" perante a China. 


Alfredo Barroso deixou uma nota no Facebook, onde aponta que "nunca [lhe] passou pela cabeça que um secretário-geral do PS se atrevesse a prestar vassalagem à ditadura comunista e neoliberal da República Popular da China". Barroso também não perdoa a Costa ter afirmado que Portugal está melhor que há 4 anos no início do resgate. O histórico membro da Acção Socialista Portuguesa e membro do CEUD, estrutura de oposição ao Estado Novo durante o consulado marcelista, apelidou as declarações de "ignóbil chinesice".


A declaração de Costa no sentido de Portugal estar melhor foi politicamente capitalizada pela direita. Comentadores do PSD e do CDS reagiram com agrado, elogiando o "sentido de Estado" do líder do PS. O líder parlamentar dos sociais-democratas, Luís Montenegro, afirmou que, a António Costa, "fugiu a boca para a verdade" e acrescentou significados que o líder socialista não mencionou, nomeadamente que ele teria reconhecido que Portugal "tem uma perspectiva de crescimento e de futuro." Um conhecido blogue de direita criou um toque para telemóvel com as palavras de Costa, onde ele aponta que o país está hoje diferente de há 4 anos. Em resposta, o Partido Socialista afirma que Costa só disse que o país está diferente, e não que está melhor.


Alfredo Barroso declarou ainda que, tendo 70 anos, pretende acabar a vida "com alguma dignidade e coerência, o que não é possível continuando a militar no PS." Barroso termina declarando que não vai aderir a qualquer outro partido. Contudo, deverá votar no Bloco de Esquerda, e aproveitou para criticar aqueles que se afastaram do Bloco "já a pensar nos cargos políticos face a uma possível vitória eleitoral do PS."