José Sócrates e o seu amigo Carlos Santos Silva, que estão em prisão preventiva desde o final do mês de Novembro, recorreram e enviaram os seus recursos das medidas de coacção, no mês passado, com o objectivo de sair o mais rapidamente possível da prisão. Nesses recursos, os suspeitos de fraude fiscal afirmam que a prisão preventiva foi uma medida excessiva e sem fundamentos, algo que o Ministério Publico e o juiz de Instrução não concordam. Em declarações ao jornal português Diário de Noticias, o procurador do Ministério Público, Rosário Teixeira, admitiu que os recursos apresentados por José Sócrates e Carlos Silva foram analisados, mas que não terão validade judicial, visto que não apresentam factos plausíveis.

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" O risco de forjarem informações úteis para o caso, de manipularem a investigação, para além do risco de fuga dos suspeitos para países da América Latina, onde desenvolveram contactos ao longo dos últimos anos, são razões mais que suficientes para mantê-los em prisão preventiva", declarou Rosário Teixeira na entrevista.

Também o juiz do caso, Dr. Carlos Alexandre, teve um voto na matéria em relação aos recursos apresentados contra a prisão preventiva, apesar de esta não constar na lei. O impacto mediático, a posição social dos suspeitos e todo o seu poder de influências e, também, favores por cumprir representam riscos acrescidos para a investigação, se de facto estes saíssem em liberdade condicional. "Esta prisão preventiva foi uma manobra meramente política", afirmou o advogado de Sócrates há umas semanas.

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Esta afirmação poderia ser de defesa dos suspeitos, mas explica muito o porquê da decisão mais conservadora, os responsáveis pelo caso têm receio do poder politico, social e monetário dos suspeitos em causa.

José Sócrates, nas mais variadas entrevistas dadas desde que está na prisão em Évora, afirma o quão ridículo é ser colocada a opção do risco de fuga. Todos os responsáveis por esta investigação temem que o ex-primeiro-ministro possa viajar para um país da América Latina e pedir asilo político, caso que não seria único em situações semelhantes, noutros países. À medida que a investigação se desenvolve, o pano começa a subir e cada vez mais casos de fraude fiscal e corrupção começam a surgir ligados a Sócrates. Milhões e milhões de euros envolvidos e José Sócrates, a julgar pelos factos apresentados, não sairá tão cedo da prisão. #Justiça