O Partido Comunista Português entregou um pedido de esclarecimentos por escrito a Cavaco Silva. Pretendia-se que o Presidente da República explicasse por escrito os encontros que teve com Ricardo Salgado. No entanto, o PSD já emitiu um comunicado garantindo que irá chumbar esse pedido. Carlos Abreu Amorim relembrou alguns pontos da Constituição e acusou a oposição de tentar envolver o Chefe de Estado em manobras partidárias.

A posição tomada pelo PSD é justificada com recurso à constituição. Uma vez que o Presidente da República não tem poderes executivos, o Parlamento não tem assim competência para a fiscalizar a sua actividade.

Publicidade
Publicidade

Deste modo, o pedido enviado pelo PCP e secundado pela restante oposição não será entregue, uma vez que vai contra a Constituição.

Além disso, depois dos argumentos jurídicos baseados no que está escrito na Constituição, Carlos Abreu Amorim categorizou este pedido de esclarecimentos como sendo uma tentativa da oposição de envolver o Chefe de Estado em manobras partidárias, pelo que reafirma a intenção e determinação do PSD em votar contra.

Recorde-se que o PSD tinha relembrado que não votava contra um pedido dos partidos da oposição, levando a crer que não iria votar contra este. Porém, após o Presidente da República afirmar que não tinha declarações a fazer, os sociais-democratas voltaram atrás, decidindo impedir que o pedido do PCP chegasse a Cavaco Silva.

Perante estes factos, o PS desistiu de ouvir Cavaco Silva.

Publicidade

Porém não desistiu de ouvir esclarecimentos por parte de Passos Coelho e Ricardo Salgado. O PSD afirmou também que não se opunha, mas essa declaração foi feita antes de Passos Coelho ter afirmado que não tinha nada a acrescentar ao caso BES. Estas declarações do Primeiro-ministro podem então alterar a opinião oficial do partido no momento em que o requerimento for votado.

Os deputados socialistas querem saber o que foi dito por Ricardo Salgado a Passos Coelho. Se o ex-administrador do BES lhe foi pedir apoio dias antes do aumento do capital do banco, importa perceber por que razão o Primeiro-Ministro não interferiu.