Foi à margem de uma visita à 20ª edição do Salão Internacional do Sector Alimentar e Bebidas (SISAB) que Pedro Passos Coelho se pronunciou sobre a notícia divulgada em primeira mão pelo jornal Público, no passado dia 28, que falava de dívidas do primeiro-ministro à Segurança Social. Diz Passos Coelho que a dívida em questão, entre outubro de 1999 e setembro de 2004, não fora paga por “desconhecimento” e não por querer fugir às suas obrigações. Apanhado de surpresa com todo este caso, o primeiro-ministro português questiona o facto de não ter sido notificado pela Segurança Social e de apenas ter tido conhecimento da situação através de um jornalista do Público.

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Na oposição, já há quem apelide Passos Coelho de “caloteiro”.

As dúvidas sobre a situação contributiva do líder do governo português remontam a 2012, quando Passos Coelho contactou o Centro Distrital de Segurança Social de Lisboa, no seguimento de questões sobre a existência de uma eventual dívida, levantadas pela imprensa. “Procurei junto da Segurança Social saber qual era a situação e, na altura, foi expresso que a situação estava regularizada. Como tal, isso quer dizer que eu não tinha nenhuma dívida à Segurança Social. Ficou uma declaração de não dívida, expressa nessa altura [novembro de 2012], era eu já primeiro-ministro”, começou por salientar Passos Coelho, aos órgãos de comunicação social.

Passos Coelho sublinha que não tinha intenção de fugir às suas obrigações e que estava “convencido” que o pagamento à Segurança Social era uma “opção”.

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“Não existe da minha parte nenhuma intenção de não cumprir com essas obrigações. Estava convencido que elas eram, nessa época, uma opção. Portanto eu não tinha esses anos de carreira contributiva”. No entender do responsável governativo português, os documentos inerentes a este caso não deveriam ter sido facultados a terceiros. 

No total, Passos Coelho pagou, de forma voluntária, cerca de 4 mil euros de contribuições à Segurança Social. Porém, ainda antes das explicações de Passos Coelho, Catarina Martins já classificava o primeiro-ministro de “caloteiro”. “O primeiro-ministro foi caloteiro para com a Segurança Social. É o mesmo primeiro-ministro que tem perseguido os falsos recibos verdes e apelidado de piegas a quem, recebendo 500 euros, não tem possibilidades de pagar obrigações muito mais altas do que aquelas que lhe eram devidas na altura”, disse a dirigente do Bloco de Esquerda.