A resposta de Pedro Passos Coelho ao líder da bancada do Partido Socialista, Ferro Rodrigues, demorou mais do que o previsto em virtude dos protestos protagonizados por algumas pessoas que estavam sentadas nas galerias do Parlamento. Entre os vários gritos de revolta, ouviu-se, com insistência, o pedido de demissão do primeiro-ministro. "Demissão, demissão, demissão, queremos a tua demissão!", foi o que se ouviu durante pouco mais de um minuto nas galerias do Parlamento. O momento só acalmou após o apelo da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, para que os agentes policiais presentes retirassem as pessoas que se manifestavam da zona onde estavam para continuar o debate quinzenal, que esteve forçadamente parado em virtude dos acontecimentos.

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Para além dos já citados gritos, os cerca de vinte manifestantes exigiram um pedido de desculpas por parte de Passos Coelho ao povo português. "Tu metes nojo ao povo pá", é o que se podia ouvir também. Assunção Esteves não descansou enquanto não houve silêncio no hemiciclo, aproveitando para apelar ao bom senso das pessoas ao pedir "respeito por todos os presentes neste parlamento". Referir que esta sessão parlamentar está a ser marcada pela polémica em torno da carreira contributiva do actual chefe de estado, Pedro Passos Coelho.

A Associação de Combate à Precariedade (Precários Inflexíveis), já veio a público, em jeito de comunicado, reclamar a autoria da pequena manifestação sentida esta quarta-feira, dia 11, na Assembleia da República. "Esta situação é de todo insustentável. Num país em que se persegue os trabalhadores mais precários, a recibos verdes e noutras situações sem protecção, de forma violenta, temos um primeiro-ministro que escapa de forma quase cristalina às dívidas que tinha na segurança social e nas finanças. Que moral tem este indivíduo para exigir o que quer que seja a partir de agora?", questiona a associação.

"A permanência do senhor Pedro Passos Coelho, actualmente no exercício das funções de primeiro ministro de Portugal, não é mais do que uma afronta ao regime democrático em que todos nós vivemos. Não pode haver, por isso, dois pesos e duas medidas. Trata-se de uma falta de respeito perante qualquer simples cidadão que cumpre as suas obrigações com o país. Não pode haver, por isso, os chamados cidadãos de primeira e de segunda. Não nos podemos esquecer que Pedro Passos Coelho autonomeou-se como um cidadão de primeira classe. Porém, temos vários milhões de trabalhadores em todo o país que estão em situação precária ou sem trabalho e sustento para as suas vidas, os chamados cidadãos de segunda categoria. Algo que é inadmissível, daí pedirmos a demissão imediata e um pedido de desculpa do primeiro-ministro a Portugal", termina assim o comunicado.