A associação Precários Inflexíveis acusa o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de "falta de respeito" pela Segurança Social. A associação de trabalhadores a recibos verdes, através do seu representante Tiago Gillot, refere-se desta forma ao caso veiculado pelo jornal Público, relativo ao não pagamento de contribuições à Segurança Social pelo primeiro-ministro. Em causa está um período entre 1999 e 2004, durante o qual o primeiro-ministro foi trabalhador independente, a recibos verdes - tal como os associados da Precários Inflexíveis - e não fez o pagamento de qualquer contribuição. De acordo com Tiago Gillot, e em declarações à Rádio Renascença, "é totalmente inadmissível" que Passos Coelho tenha optado por não fazer o pagamento destas contribuições.

"Mais grave ainda", segundo Gillot, é o facto de Passos Coelho aponta "não ter sido notificado" como motivo para não fazer o pagamento das contribuições obrigatórias. Gillot aponta que as leis que determinam a obrigatoriedade de contribuir para a Segurança Social por parte de quem está  a recibos verdes foram elaboradas "enquanto Passos Coelho era deputado". Desta forma, os Precários Inflexíveis não atribuem qualquer credibilidade à alegação de Passos Coelho de que pensava que as contribuições poderiam ser facultativas.



Adicionalmente, Gillot publicou um artigo de opinião no Público, no Domingo dia 1 de Março onde acrescenta outros pontos de vista. Gillot refere que o primeiro-ministro escolheu o 1º escalão de contribuição, quando os "rendimentos de facto auferidos" seriam bastante superiores. O porta-voz dos Precários aponta ainda que esta actuação pessoal contrasta com a atitude de perseguição aos "falsos recibos verdes", tendo sido levantadas penhoras por dívidas que, segundo a associação, são motivadas pela injustiça do sistema e pela não resposabilização das entidades patronais. 


Gillot termina o artigo com um statement: "o regime de contribuições para os trabalhadores a recibos verdes é injusto, inadequado e incompreensível para quem nele está incluído." A associação apela a que o regime seja alterado e não compreende o que classifica como "a estranha moral" de Passos Coelho, nesta situação.