O ex-director do Instituto de Segurança Social (ISS), Edmundo Martinho acusa o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de fuga fiscal e diz que "há aqui uma atitude continuada de fuga àquilo que é uma obrigação contributiva a que todos estamos sujeitos". Esta situação é encarada pelo PCP e PS como sendo anti-ética e sem justificação. Catarina Martins declarou hoje que "O primeiro-ministro ganhava 7.000 euros por mês e fugiu a uma contribuição de 100 euros. Foi caloteiro para com a Segurança Social. É o mesmo primeiro-ministro que tem perseguido os falsos recibos verdes e chamado piegas a quem, recebendo 500 euros, não é capaz de pagar obrigações muito mais altas do que as que lhe eram devidas na altura".

Explica Catarina Martins que não é o Bloco de Esquerda que quer uma explicação nem tão pouco a Assembleia da República, mas todo um Portugal de contribuintes que pagam as suas obrigações à Segurança Social e às Finanças: "Um país em que as pessoas tiveram quebras salariais tão assinaláveis, em que tantas pessoas estão em precariedade laboral extrema, e que estão a ser perseguidas com as multas da Segurança Social. Este país precisa de uma resposta." Diz não ser minimamente aceitável a situação, por parte de um primeiro-ministro.

Pedro Passos Coelho justificou, numa entrevista à margem da sua visita ao Salão Internacional da Alimentação e Bebidas, que "não tinha consciência da obrigação para pagar essa dívida desse período" e que pensava que as suas contribuições entre os anos de 1999 e 2004 eram "opção", e ainda que "não contariam para a carreira contributiva". O facto de o pagamento da dívida ter sido feito só recentemente é justificado, pelo chefe do executivo, para "pôr termo às acusações infundadas sobre a minha situação contributiva" e que nunca foi informado desta situação pela Segurança Social.

Passos Coelho criticou ainda o facto de o sigilo ter sido quebrado e de os seus dados contributiva terem sido expostos a público por terceiros. Já Pedro Mota Soares, o ministro da Segurança Social, aponta que o primeiro ministro de "estar a pagar pelos erros da administração" e que a sua situação é semelhante à de milhares de portugueses.