Decorreu na sexta-feira e sábado, 13 e 14 de Março, em Lisboa, o Congresso da Cidadania, Ruptura e Utopia. A iniciativa, que partiu da Associação 25 de Abril, reuniu alguns putativos candidatos à Presidência da República e ainda várias personalidades da vida política portuguesa, como são os casos de Rui Tavares (Livre), Marinho e Pinto (Partido Democrático Republicano), Joana Amaral Dias, Francisco Louçã, Ana Drago, António Garcia Pereira (PCTP-MRPP), entre outros. Todavia, o discurso que motivou a maior ovação da sala partiu mesmo de Sampaio da Nóvoa, antigo reitor da Universidade de Lisboa e eventual candidato na "corrida" ao Palácio de Belém.

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Manuel Carvalho da Silva, ex-dirigente da CGTP e Paulo Morais, dirigente da Associação de Integridade e Transparência, também eles apontados como possíveis candidatos a Belém, também marcaram presença no congresso.

A intervenção inicial de Sampaio da Nóvoa foi peremptória: "Devo a Abril tudo o que sou", começou por frisar. Contudo, o agora reitor honorário da Universidade de Lisboa depressa passou ao ataque. "Chegou o tempo da coragem e acção", declarou Sampaio da Nóvoa, que considera que quer "esta Europa", quer "esta União Económica e Monetária já não nos servem". Reportando-se novamente a Abril, Sampaio da Nóvoa deixou claro que a mudança está dependente de "nós". "Assim como em Abril, temos que ser nós a contribuir para mudar o panorama europeu", disse, antes de sublinhar: "É na Europa que podemos vincar a nossa posição".

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Sampaio da Nóvoa, que considera os tempos de austeridade um "desastre", e que é preciso acabar com "esta política antes que ela acabe connosco", não tem dúvidas sobre o caminho a seguir. Para o antigo reitor, a renegociação da dívida, aliada a uma política de "vistas largas e Estado forte", é indispensável para inverter o actual rumo dos acontecimentos.

Relativamente ao sistema político, por diversas vezes alvo de críticas da opinião pública e publicada, Sampaio da Nóvoa defendeu que é imperial a "regeneração do sistema político" português. E foi mais longe, ao afirmar que as #Eleições (legislativas e presidenciais) "só valem a pena" se constituírem "um tempo de mudança em Portugal". Ainda que de forma indirecta, Sampaio da Nóvoa deixou o aviso a muitos candidatos que têm vindo a terreiro manifestar disponibilidade para uma candidatura presidencial. "Com políticos antigos, não haverá espaço para políticas novas".

A este propósito, Sampaio da Nóvoa considerou que os tempos de presidência de Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio são exemplos a ter em conta. Na fase final do discurso, o ex-reitor garantiu não ter "medo" e ser "livre", pelo que a "ousadia" é já meio caminho andado para a vitória. A chuva de aplausos na sala da Fundação Calouste Gulbenkian não se fez esperar.