A denúncia partiu do empresário Manuel Champalimaud, administrador e principal accionista português da REN, e foi confirmada por fonte oficial da EDP (Energias de Portugal), esta sexta-feira, dia 17 de abril, à Agência Lusa. Artur Trindade é secretário de Estado da Energia desde abril de 2012, ao passo que o pai, com o mesmo nome, é consultor na eléctrica desde 2013. Instado a comentar esta informação, o secretário de Estado recusou tecer qualquer comentário, sendo que o pai deixou os esclarecimentos para mais tarde. Artur Trindade desempenha a função de consultor externo da EDP no contexto do comité de autarquias, órgão que conheceu a luz do dia em 2012.

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Fonte oficial da EDP justifica a escolha de Artur Trindade para o cargo de consultor. "A EDP entende que a sua longa experiência em autarquias é uma mais-valia no que diz respeito ao estabelecimento de relações de longo prazo entre as autarquias e o grupo". Manuel Champalimaud, por seu turno, considera que a eléctrica liderada por António Mexia defendeu-se "politicamente" sobre a taxa sobre o sector energético, na medida em que contratou "recentemente" os serviços do pai do governante.

Manuel Champalimaud teceu críticas ao governo esta sexta-feira, no final da assembleia-geral da REN (Redes Energéticas Nacionais). Para o presidente do conselho de administração da Gestmin, a taxa extraordinária que o governo alargou do sector electroproductor ao sector energético é "anticonstitucional e muito injusta", pois penaliza empresas como a REN, que não podem incluir este imposto nos preços que praticam.

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Recorde-se que Artur Trindade sucedeu a Henrique Gomes na pasta da Energia, devido à insistência e determinação do antigo secretário de Estado da Energia em rever as rendas a produtores de electricidade, nomeadamente à EDP. Artur Trindade (pai) foi presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, pelo PSD, e secretário-geral da Associação Nacional de Municípios Portugueses durante três décadas (tendo deixado o cargo a 30 de dezembro de 2013).