Helena Roseta, presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, admitiu, em entrevista a Maria Flor Pedroso da Antena 1, que o principal obstáculo para apresentar uma candidatura à Presidência da República é a falta de recursos financeiros. De resto, a antiga vereadora da Câmara Municipal de Lisboa (CML) entende que faltam mulheres na corrida a Belém. Recorde-se que, em meados de março, Maria de Belém Roseira deixou no ar a possibilidade de integrar a lista de candidatos às eleições presidenciais. Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Santana Lopes, António Guterres, Carvalho da Silva, Sampaio da Nóvoa e Fernando Nobre têm sido apontados como putativos candidatos a Belém mas, até ao momento, apenas Henrique Neto oficializou a sua candidatura.

Questionada por Maria Flor Pedroso sobre uma possível candidatura a Belém, Roseta afirmou que "não punha isso de parte", mas não tem dinheiro para avançar.

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"Para fazer uma candidatura à Presidência da República é preciso dinheiro. É um assunto que as pessoas não gostam de abordar, mas é preciso dinheiro", começou por salientar a antiga vereadora, que questionou: "Qual a razão pela qual os candidatos precisam do apoio dos partidos? Porque estes têm possibilidade de financiar os candidatos, o que também não deixa de ser estranho. Não deviam". "Os candidatos presidenciais que não contam com apoio dos partidos têm de arranjar o dinheiro sozinhos", relembrou.

Não é apenas a falta de dinheiro para concorrer a Belém que preocupa Helena Roseta. A falta de mulheres na corrida às presidenciais é algo que Roseta considera "impensável". Apesar de Maria de Belém e Manuela Ferreira Leite serem apontadas como possíveis candidatas, Helena Roseta entende que "deveria haver várias candidatas".

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Entre outros aspectos, Helena Roseta revelou ainda que defende uma revisão constitucional para que os cidadãos possam concorrer ao cargo de Presidente de República e que pode vir a ser candidata a deputada, não necessariamente pelo Partido Socialista. Todavia, o assunto ainda não foi discutido e Roseta deixou claro que "não se vai colocar em bicos de pés".

A mais recente polémica nas eleições legislativas regionais na Madeira também mereceu o comentário de Helena Roseta, que não se mostrou surpreendida "com as irregularidades e chapeladas" no arquipélago. "Sempre tive conhecimento de muitas queixas a esse respeito", sublinhou.

Sobre a saída de António Costa da presidência da CML, Roseta esclareceu que em 2013, altura em que a lista para a autarquia foi preparada, a hipótese de Costa não cumprir o mandato até ao fim não foi descurada. A antiga vereadora justifica: "Senão eu nunca teria assumido o cargo de presidente da Assembleia Municipal de Lisboa e teria mantido a posição de número dois".