Em entrevista publicada na edição desta terça-feira, dia 14, do Diário de Notícias (DN), Manuel Maria Carrilho acredita que a única forma de o Partido Socialista (PS) não sair prejudicado nas eleições legislativas que se avizinham é expulsar o antigo primeiro-ministro, José Sócrates. Para o antigo responsável pela pasta da Cultura nos governos de António Guterres, a prisão de José Sócrates pode ser prejudicial para o partido e que só a saída do ex-líder socialista "redimirá" o partido "aos olhos do país". Todavia, Carrilho considera que a decisão deve partir de António Costa, secretário-geral do partido. Recorde-se que José Sócrates encontra-se preso preventivamente no Estabelecimento Prisional de Évora desde finais de novembro, por indícios de crimes de fraude fiscal qualificada, corrupção e branqueamento de capitais.

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Carrilho explica o seu ponto de vista. "É preciso começar a preparar a inevitável proposta de exclusão de José Sócrates do PS. A meu ver, a iniciativa devia partir do próprio secretário-geral do partido. Todos sabemos que António Costa foi número dois de José Sócrates, pelo que, também ele, como todo o país e a grande parte dos militantes do PS, deve sentir-se traído, enganado", disse o antigo ministro da Cultura.

Para o ex-governante a questão é simples. O PS pode sair beliscado nas próximas eleições legislativas e para evitar que tal possa suceder o partido precisa de precaver-se, com o intuito de combater uma eventual condenação do antigo primeiro-ministro. Na óptica de Manuel Maria Carrilho, o PS deve "provar" que para o partido os "interesses do país" sobrepõem-se a "amizades e cumplicidades partidárias".

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Na entrevista ao DN, Maria Carrilho não deixou ainda de lembrar as "discordâncias políticas de fundo" com José Sócrates. "Sempre pensei que um indivíduo com o perfil dele não devia ser líder do partido e muito menos primeiro-ministro de Portugal", sublinhou. Numa altura em que o barómetro da Aximage, realizado entre os dias 4 e 8 de abril, mostra que PS e PSD + CDS-PP estão taco a taco, Carrilho afirmou que os principais problemas do partido são a "falta de visão alternativa" e a "inércia política".