A vida tem cada coisa! O que um pobre de Cristo, ainda que pouco ou nada crente, tem de suportar!

Já não bastava o espetáculo televisivo da detenção, as fugas seletivas de informação, o indeferimento dos vários pedidos de habeas corpus e a manutenção na prisão durante quase sete meses. Tudo porque um juiz decidiu imputar-lhe a suspeição dos crimes de fraude fiscal qualificada, corrupção e branqueamento de capitais. Coisa grave e passível de pena severa, apesar de já não vivermos nos tempos da Grécia antiga onde outro Sócrates, o filósofo, foi condenado à morte.

Uma acusação desprovida de fundamento e de provas na perspetiva do detido.

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Afinal não é crime um homem - ou uma mulher - ter um amigo rico, um benemérito sempre pronto a abrir os cordões à bolsa, como que a provar que o valor da amizade não é incompatível com o empréstimo de verbas avultadas. O preço exigido para garantir condições de vida dignas a um estudante numa universidade estrangeira. Uma espécie de bolsa de estudo. Dourada, como certos vistos de residência que colocaram os olhos em bico a altos funcionários da máquina burocrática estatal.

Uma coleção de afrontas. Um preso político, nas contas daqueles que rumaram - nada de escrever peregrinaram - a Évora, onde o detido número 44 pode não ter direito a botas de cano alto e ao cachecol do clube do seu coração, mas é presenteado com a visita do jet 7 não apenas socialista.

Afrontas que parecem revelar tendência a eternizar-se.

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Então não é que, ao fim deste tempo todo, o Ministério Público resolveu oferecer-lhe uma pulseira eletrónica?!

Está bem que a eletrónica faz parte da área das engenharias e este juiz não colocou em caso o processo que conduziu à licenciatura do detido. Aliás, basta recuperar a questão do computador Magalhães para perceber que o ainda preso preventivo é pessoa virada para o universo das tecnologias. Como um milhão de venezuelanos pode comprovar, mesmo depois da partida de Hugo Chavez. Talvez influência do passarito que o sucessor Maduro teima em ouvir.

Uma pulseira?! Uma ofensa que nada tem a ver com a questão do sexo. As pulseiras não representam um exclusivo feminino. A razão é outra. Aqui sim uma prova. De ignorância, seguramente.

Pulseira é palavra derivada por sufixação. Formada a partir de pulso. A parte do braço que pega com a mão. Conhecimento ao alcance de qualquer estudante do unificado. Uma verdade inacessível aos israelitas que confecionam a dita. Um enfeite destinado a colocar na parte inferior da perna.

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Mais exatamente junto ao tornozelo. A parte que liga a perna ao pé.

Quanta ignorância. É assim que os judeus de Israel retribuem a autorização para a utilização da Base das Lajes pelos aviões do seu aliado - Estados Unidos - durante a guerra do Yom Kippur?

Como é que um homem culto pode pactuar com mais esta afronta? Recusando a oferta! Afinal, não se trata de uma homenagem. Daquelas que não se pedem, jamais se recusam e nunca se agradecem.

José Régio ensinou a receita. No seu Cântico Negro. A cor com que lhe têm pintado o tempo recente.

Uma tortura! Felizmente, um pobre de Cristo, mesmo detido, dispõe da liberdade de escolher a sua cicuta. Em sentido figurado. Graças a Deus! #Justiça #José Sócrates