O Bloco de Esquerda incluiu Júlia Pereira na lista candidata pelo distrito de Setúbal, em lugar elegível nas legislativas de Outubro. Pela primeira vez na sua história, a Assembleia da República pode vir a contar com uma deputada transexual. Júlia Mendes Pereira é militante do Bloco de Esquerda, reconhecida activista pelos direitos das minorias sexuais, além de co-directora da organização não governamental Ação Pela Identidade - API, que trabalha para a defesa e estudo da diversidade de género e características sexuais. É membro do Steering Committee of Transgender Europe, tendo sido também coordenadora do GRIT - Grupo de Reflexão e Intervenção sobre a Transexualidade, da associação ILGA Portugal.

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Além de reconhecerem o percurso desenvolvido pela activista, os bloquistas consideram que a presença de Júlia Pereira na Assembleia, durante a próxima legislatura, pode levar novamente a debate temas ainda fracturantes na política e sociedade portuguesas, como a lei que regula o processo de mudança de sexo e de nome no registo civil.

A Lei de Identidade de Género entrou em vigor em 2011. Desde então, o conceito encontra-se explícito no Código Penal, como agravante de incidentes de ódio, bem como no Código de Trabalho, enquanto medida contra a discriminação, entre outros instrumentos de políticas públicas.

Mas os direitos das minorias sexuais continuam a não ser reconhecidos por completo. A actual lei exige a emissão de um único relatório de diagnóstico, para assegurar a alteração de sexo e nome no registo civil.

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Aguarda-se sempre pelo consentimento e autorização de psicólogos e médicos, "por isso, exigimos o direito à autodeterminação" e à integridade física, lê-se no artigo de Júlia Pereira intitulado "Quem representa as pessoas trans e intersexo?", publicado em Maio deste ano na plataforma feminista Maria Capaz e no portal de informação Esquerda.net.

Recorde-se que a polaca Anna Gradzka foi a primeira transexual (e, até hoje, a única em toda a União Europeia) a ser eleita para o cargo de deputada, na Polónia, em 2013, pelo Partido Verde. #Eleições #LGBT