Chama-se Guilherme Falcão Rosa, é licenciado em Relações Internacionais e, embora tenha nascido em Luanda, desde sempre que viveu em Tomar. Há cerca de 13 anos mudou-se para Londres, onde trabalhou em dois bancos portugueses. Em 2014, com 1769 votos, o correspondente a 18% dos boletins válidos na circunscrição de Stockwell, foi eleito vereador no município londrino de Lambeth (aqui um terço dos eleitores tem origem portuguesa) pelo Partido Trabalhista.

Muito prático no seu discurso, para Guilherme Rosa o Reino Unido "perde muito e ganha pouco" com uma eventual saída da União Europeia. O pouco que ganha prende-se, exclusivamente, ao facto de "alimentar o orgulho insular e a opulente capacidade de decidir todas as suas leis".

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Quanto às perdas, Guilherme Rosa enumerou algumas situações que se podem apresentar como profundamente desvantajosas para o país. "Perde a eterna influência estabilizadora, liberal e desenvolvimentista que sempre teve. Perde um mercado com 400 milhões de habitantes. Perde muitas empresas multinacionais que se deslocalizarão, a "City of London" e todo o seu poder financeiro (+100Bis em Impostos). Perde o sentido de fraternidade de pertencer à mais evoluída parte do Mundo. Perde poder de compra, competitividade económica e a convergência para um conjunto de leis europeias consensuais. Perde o valor do imobiliário, da moeda historicamente forte e perderá população, eu inclusive", defendeu o responsável.

Além dos britânicos, os únicos estrangeiros que poderão votar no referendo são os naturais da Irlanda com nacionalidade britânica ou os residentes que sejam naturais de um dos países europeus que também façam parte da Commonwealth.

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Estando no Reino Unido há 13 anos, Guilherme Rosa descreve um cenário de injustiça. "Considero injusto não poder ter voto numa decisão extremamente importante para mim, muito mais do que para um britânico (por ser utilizador e beneficiário do Acordo de Schengen)", vingou. Contactando diariamente com emigrantes portugueses a viver há algum tempo no país, Guilherme Rosa salienta que, perante os que estão cá há muito tempo, é generalizado um sentimento de alguma indiferença uma vez que têm direitos adquiridos. Muitos deles criticam, aliás, a vaga emigratória da Europa numa espécie de "saudosismo britânico aos tempos antigos". Apesar disso, outra grande fatia deles está interessada e começa a organizar-se. Pertencendo ao LME (Labour Movement for Europe), há muito que Guilherme Rosa está na linha da frente do movimento "Let me Vote" (deixa-me votar) presente em toda a Europa.

Em suma, decidir a permanência do Reino Unido na UE é "uma decisão capital para o futuro deste país, tanto em termos económicos como sociais".

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Pesando os prós e os contras, para Guilherme Rosa votar na continuidade é "manter o projecto actual sem grandes alterações", ao passo que votar na saída seria "uma mudança radical e com consequências assinaláveis". Guilherme Rosa espera, por isso, que se acautele todos os parâmetros necessários e que se debata com seriedade este assunto, elucidando com clareza a população sobre este caminho. Importa que todos estejam conscientes "sobre a decisão que vão votar de uma forma muito democrática na democracia mais antiga do Mundo mas, mesmo assim, inibidora de nos deixar votar", concluiu. #Política Internacional