Num mesmo dia, 26 de junho de 2015, o Mundo foi sobressaltado pela notícia de três atentados terroristas perpetrados em lugares fisicamente muito distantes.

No Kuwait, um bombista suicida fez-se explodir numa mesquita em Imam Sadiq, à hora de oração da manhã. No Norte de África, em Sousse na Tunísia, um atirador semeou o pânico e a morte numa estância turística. Em França, em Lyon, um ataque a uma fábrica de gás provocou uma decapitação e vários feridos.

A utilização da palavra "vários", tal como a circunstância de o texto não indicar o número de vítimas, não é inocente. Representa uma opção. Não no sentido de desvalorizar as vidas roubadas, mas para salientar que não é o número de mortos e feridos que pode servir para catalogar o ato.

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Dito de uma forma mais clara: o #Terrorismo é sempre criminoso, mesmo quando não consegue matar. O que, infelizmente, não foi o caso nos três atentados.

Até ao momento, apenas foi reivindicada a autoria do ataque à mesquita no Kuwait. Um massacre já assumido por um braço do grupo terrorista autodenominado "estado islâmico", uma designação que os meios de comunicação, incluindo os ocidentais, por força da repetição, acabaram por legitimar junto do público. Sem antes cuidarem, como se impunha, de um esclarecimento cabal sobre os dois conceitos de que o bando se serve.

Importava elencar os elementos constituintes de um Estado. Era fundamental esclarecer o significado de "islâmico". Até para que os largos milhões de seguidores pacíficos do Islão não se vissem conotados com as práticas violentas do terrorismo.

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Afinal, os islâmicos estão entre as principais vítimas dos atentados.

Na mesquita do Kuwait, os crentes eram seguidores do Islão. Eram xiitas como poderiam ser sunitas. Têm o Corão como livro sagrado. Aliás, o Kuwait é um país onde xiitas e sunitas convivem na paz do Profeta. Que também é comum.

Em Sousse, na Tunísia, um caso raro de sucesso onde a Primavera Árabe não se converteu em Outono, as vítimas foram principalmente turistas. Os estrangeiros que permitem a entrada das divisas necessárias para assegurar o desenvolvimento do país. Uma missão que um atentado terrorista pode deitar por terra. O turismo decorre do prazer de viver. Não do desejo de encontrar a morte.

O terrorismo alimenta-se da quebra de confiança que gera entre os cidadãos e os seus representantes. Fomenta a insegurança das populações. Semeia tempestades desnecessárias. Cava a sepultura das instituições. Destrói as marcas da História. Despreza a vida.

O mediatismo resultante da carnificina faz parte dessa estratégia de dor e insegurança.

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Quanto mais violentas e horripilantes forem as imagens, melhor servidos ficarão os interesses terroristas. Por isso, as degolações. Encenadas vezes sem conta até se tornarem realidade. Daí as selfies. A cabeça da vítima como troféu. De outra cabeça. Fanática. Morta em vida. Sem disso se dar conta.

Uma barbárie para a qual não existe Ramadão. Todos os dias são bons. Não é necessário esperar pelo pôr-do-sol.

É a este fenómeno que a Humanidade - e obviamente os representantes dos povos que querem continuar a viver na casa comum - tem de dar a atenção devida. Num mundo globalizado, o terrorismo em rede não representa uma ameaça. É um perigo real no quotidiano das populações. Nenhum país está totalmente a salvo. Como os palestinianos e os israelitas já perceberam. Daí as reuniões, por enquanto secretas, para definirem uma estratégia conjunta que impeça a entrada na zona deste grupo terrorista. Um perigo bem superior ao atual inimigo. Apesar dos ódios de parte a parte estarem para durar. A dimensão de uma crise é sempre relativizada pelo surgimento de um problema maior.

Era uma sexta-feira, mas não era dia 13. Por isso, as explicações simplistas e ligadas à crendice não colhem.

Foi o fanatismo a ditar a sua ordem. Que é desordem. Um apocalipse da razão. O homem lobo do homem. Solitário ou em alcateia.