O presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, num discurso ao país, indigitou ontem o anterior primeiro-ministro Pedro Passos Coelho para formar novo governo, na sequência das #Eleições legislativas realizadas a 4 de Outubro. Num discurso de cerca de 10 minutos, o presidente da República revelou-se surpreendido pelo facto de "os partidos políticos que apoiam e se revêem no projecto da União Europeia e da Zona Euro" não terem conseguido um entendimento para a viabilização de um governo. Desta forma, Cavaco, lembrando que "40 anos de democracia portuguesa a responsabilidade de formar Governo foi sempre atribuída a quem ganhou as eleições", atribuiu essa responsabilidade a Passos Coelho, tendo a PàF sido a força política mais votada. No ar ficou uma repreensão ao PS e a António Costa pelas diligências em procurar um entendimento à sua esquerda, ao invés de procurar um acordo com a coligação PàF.

Cavaco lamentou o facto de não ter sido possível uma solução de governo com maioria absoluta, como ele próprio recomendou no seu discurso de 6 de Outubro. Neste sentido, deixou referências e avisos direccionados aos deputados do Partido Socialista, apelando quase explicitamente à viabilização da governação por parte da coligação PàF, ao lembrar que a decisão cabe sempre à Assembleia da República, e nomeadamente aos deputados que a compõem. Na sequência da finalização dos resultados eleitorais, basta que 9 deputados não pertencentes à PàF votem favoravelmente as suas propostas para que sejam aprovadas.

Além disso, Cavaco deixou no ar a hipótese de recusar a indigitação de um governo apoiado pela maioria parlamentar de esquerda, se tal vier a ser proposto na sequência da rejeição do governo Passos Coelho. O Presidente referiu igualmente no discurso que "nunca, em 40 anos de democracia, forças antieuropeístas estiveram no governo" e que não aceitará uma solução que ponha em causa as linhas gerais seguidas pelos governos anteriores (Tratado Orçamental, Tratado de Lisboa e restantes mecanismos de manutenção no Euro, bem como a permanência na OTAN).

As reacções dos partidos políticos foram esperadas, com os partidos de esquerda a clamarem contra a "parcialidade" e a "protecção" dada por Cavaco aos partidos da sua área política. António Costa, nomeadamente, repetiu o que Jerónimo de Sousa já havia afirmado e reiterou que a escolha de Passos Coelho é "inútil", antecipando uma rejeição do programa da PàF. Já à direita, Nuno Melo (CDS-PP) salientou que Cavaco "fez os que todos os presidentes fizeram nos últimos 40 anos", enquanto o PSD, pelo seu porta-voz, apelou à "responsabilidade institucional" do PS. #Cavaco Silva